Em três anos, a tarifa de energia residencial subiu 70% acima da inflação – engolindo parte expressiva da renda das famílias, em momento difícil da economia. E, infelizmente, esse choque elétrico nos orçamentos domésticos está longe de parar.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avisa que as contas de luz vão ficar mais caras a partir dos próximos dias, devido ao acionamento da chamada bandeira tarifária vermelha nível 2, o mais elevado para as cobranças adicionais.
Vamos ter mais inflação. O reajuste anunciado vem de dois fatores circunstanciais. O principal é a escassez de geração elétrica, em função do volume de chuvas abaixo da média histórica. Cerca de 60% do consumo de energia é suprido por hidrelétricas. Há cerca de 220 usinas em operação no país. Outro, é a alta do dólar, que pressiona as tarifas em Itaipu.
No entanto, o maior peso no custo da energia é resultante do populismo tarifário do governo Dilma. O valor da conta de luz aumentou 33% entre fevereiro de 2015 e maio de 2018, enquanto o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do período ficou em 19,7%.
Nós, consumidores, estamos pagando uma indenização de R$ 62,2 bilhões às concessionárias de transmissão de energia, porque em 2012, período de eleições municipais, a presidente interveio no mercado decretando a queda forçada de 20% nas tarifas.
Isso será cobrado nas contas de luz até o ano de 2025. Ou seja, ao longo de mais sete anos e meio essa despesa vai pesar muito no bolso dos cidadãos. O dinheiro é para compensar empresas por investimentos em linhas de transmissão feitos antes de 2000, e que ainda não foram totalmente pagos via tarifa.
Que essa situação alerte a sociedade contra acenos populistas de candidatos na eleição deste ano. O preço é alto e a conta sempre chega.