Haddad é um poste mais luminoso que Dilma, cuja escuridão política e intelectual era inacreditável para alguém que chegou à Presidência. O novo poste é envernizado
Advogado, professor da USP e ex-ministro da Educação, Haddad é um poste mais luminoso que Dilma, cuja escuridão política e intelectual era inacreditável para alguém que chegou à Presidência. O novo poste é envernizado. Ao contrário de Dilma, sabe escolher bem as palavras. Nem por isso, porém, deixa de ser um poste, no sentido de que só está ali porque Lula assim o quis e de que, se eleito, quem vai governar de verdade será o ex-presidente – conforme tudo leva a crer, a começar pelos movimentos do próprio Haddad.
O ex-prefeito de São Paulo será o presidente de direito; Lula, o presidente de fato. E aí cairemos na surreal e vexatória situação de termos um país presidido por um presidiário condenado por corrupção passiva, por intermédio de seu preposte, digo, preposto. Emblemático foi o fato de a candidatura de Haddad ter sido lançada em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está custodiado. Desde então, as visitas de Haddad ao mestre têm sido frequentes, na certa em busca de direção. Jogar baralho na cela é que eles não vão. Lula é o Posto Ipiranga; Haddad, o poste do posto.
A estratégia de vinculação de Haddad a Lula é ostensiva, saltando de cada detalhe da propaganda do petista – por sinal, bem produzida. Lula é o verdadeiro protagonista. Está sempre ali presente, em depoimentos exibidos a cada programa. Porém, mesmo quando ele não enche a tela, sua presença se faz sentir, sobretudo em frases como “Haddad é Lula”, “Haddad é o candidato de Lula”, que reforçam a ideia de fusão dos personagens, como se o candidato fosse uma extensão do ex-presidente e como se suas identidades fossem complementares. Aliás, a onipresença de Lula vem de meados de agosto, quando petistas começaram a propagar a “chapa triplex”. Uma bobagem.
Haddad só entrou no jogo de verdade após a presepada estendida até o limite pelo PT, de vender às massas a ilusão de que Lula era, sim, o candidato, quando todos que já tenham ouvido falar da Lei da Ficha Limpa, aprovada pelo próprio, sabiam que jamais seria, por ter sofrido condenação em 2º grau. Além de servir ao plano de fundir os candidatos e confundir o eleitorado, a batalha de liminares judiciais da chapa junto ao TSE e ao STF cumpriu ainda o objetivo de aprofundar aquela estratégia que o PT vem pondo em prática desde que Lula foi condenado em 1º grau: a de constranger a Justiça e colocar em xeque sua credibilidade, agudizando a instabilidade institucional e dando fôlego à narrativa de que o ex-presidente não passa de vítima de perseguição política, jurídica e midiática.
Ademais, esse adiamento da entrada oficial do “Andrade” na arena da campanha teve o efeito de blindá-lo ao máximo (que adversário poderia bater em quem não era oficialmente candidato?).
Agora que o é, Haddad deve ao povo brasileiro uma série de explicações e, no mínimo, aquilo que nem Lula nem o PT nem seus líderes mais proeminentes jamais se dispuseram a fazer: autocrítica, reconhecimento dos erros, pedido de perdão pelos anos de banalização dos desvios éticos e de recursos públicos para o caixa do partido e para os bolsos de empresários, políticos e agentes públicos envolvidos em vários esquemas, dos quais o petrolão é o mais notório; perdão, sim, pelos anos de corrupção instituída como política de governo nas administrações petistas, visando a um projeto de perpetuação no poder. Porém, mais uma vez, ficaremos esperando. Lula jamais o fará. E, como “Haddad é Lula”... seguirá vestindo a máscara do “nada tenho a ver com isso”.
Militarismo...
A julgar pelo antipetismo da chapa Mousonaro (ou Bolsorão), o general Mourão só pode ter falado em exterminar o 13º porque esse direito trabalhista remete ao número de urna do PT. É a única explicação possível... Depois, o capitão mais uma vez contradisse o general, passou-lhe um pito público, sugeriu que o próprio vice desrespeita trabalhadores e desconhece a Constituição (sim, a mesma que Mourão já disse que tem que ser reescrita por um corpo de “notáveis”).
...ou surrealismo?!?
Mourão voltou atrás e, mais uma vez, como já frisamos aqui, fica uma certeza e uma dúvida. A certeza: a chapa não para de bater cabeça. A dúvida: em quem se deve acreditar em meio a esse caos?
Mandou lembranças
Perder a voz todo mundo perde. O que não pode é perder o respeito com os eleitores... A sabatina do Gazeta Online com Fabiano Contarato (Rede) já havia sido anunciada ao público, após ele confirmar participação. A maneira como foi desmarcada, em cima da hora, não pegou bem para o candidato.
Sob nova direção
É perceptível a mudança radical (para melhor) que o publicitário Zuza Nacif imprimiu à campanha de Rose de Freitas nesta reta final. Saem musiquinha brega e prefeito declarando apoio, entra a apresentação de propostas por área, clara e objetivamente. É só isso, ninguém está pedindo muito... “Vamos pra cima”, disse o marqueteiro à coluna.
Lá e cá
Falando em marketing, a jornalista Bete Rodrigues assina a campanha de Jackeline Rocha (PT) ao governo. Sua agência também faz a de Aridelmo (PTB).
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.