Os mineiros gostam de dizer que o Espírito Santo é a praia de Minas. Com a quantidade de portos no Estado, podemos retribuir a brincadeira dizendo que Minas pode ser a retroárea do Espírito Santo. Minas e muito mais.
O transporte marítimo fica mais barato conforme o tamanho dos navios, que depende de calado e de acesso por boas estradas, coisas que não temos no Porto de Vitória e na BR 262. Desse modo, Minas prefere usar os portos do Rio para seu comércio de café e outros produtos. Os novos empreendimentos portuários podem modificar esses e outros caminhos. As recentes licenças concedidas ao Porto Central, em Presidente Kennedy, e ao Porto da Imetame, em Aracruz, o anúncio da Petrocity Portos, em São Mateus, e a expansão do Portocel transformam as perspectivas de negócios de logística e de atração de indústrias. O Porto de Vitória e o complexo portuário de Tubarão em operação, e o porto de Ubu esperando a volta da Samarco, completam o quadro.
Certamente, a maior prioridade agora será garantir o projeto da ferrovia Vitória-Rio, dentro do pacote de renovação da concessão da ferrovia Vitória-Minas
Vamos parar de dizer que o ES é um Estado pequeno. Somos maiores em extensão do que o Rio de Janeiro, Singapura, Holanda, Bélgica e Taiwan, embora com população menor. Todos têm presença econômica relevante e estrutura portuária de respeito, além de intensa movimentação turística, somando negócios e lazer.
A volta da exploração do petróleo, com as rodadas da ANP, contribui para o novo ânimo portuário. De outro lado, todas as conversas com produtores de grãos do Centro-Oeste sinalizam que a produção não aumenta por falta de portos e acesso.
Portos não são importantes somente pelo fluxo de navios. Nos portos e no entorno se instalam indústrias com necessidade de exportação, importação ou acesso ao mar, terminais e armazéns de produtos variados, pátios de contêineres, termelétricas e uma rede de fornecedores de produtos e serviços. Não somente a cidade que abriga o porto se beneficia, mas toda a região. Com o tempo, cidades vizinhas aproveitam a valorização das terras nos municípios portuários e atraem novos negócios com custos mais baixos de implantação. É crescimento, emprego e renda espacial distribuída.
Certamente, a maior prioridade agora será garantir o projeto da ferrovia Vitória-Rio, dentro do pacote de renovação da concessão da ferrovia Vitória-Minas, para acelerar a consolidação do projeto do Porto Central. Outros temas incluiriam a urgente volta da Samarco, a duplicação da BR 262 e da BR 101, resolver a pendência antiga da rampa da Serra do Tigre na Vitória-Minas para aumentar a sua capacidade e avançar na ideia da EF354 que ligaria o Porto Central ao centro do país. Pauta hercúlea para próximo governo.
*O autor é consultor, membro do Conselho de Administração do Ibef/ES