
Altier Moulin*
O Brasil está longe de ocupar uma boa posição entre os países mais visitados do mundo e perde até para a cidade de Miami, nos Estados Unidos, que recebe, sozinha, 7,5 milhões de turistas por ano.
E isso não é, apenas, porque o país está longe ou fora de uma rota viável: a África do Sul, por exemplo, bem longe dos americanos e europeus, já ultrapassou os 10 milhões de turistas anuais. A Tailândia, igualmente distante, recebe 28 milhões de viajantes a cada ano.
Sem um projeto de promoção turística eficaz, o Brasil acaba aparecendo na mídia internacional com notícias negativas: casos como o assassinato da vereadora carioca e a tragédia de Mariana (MG) ganham mais espaço do que nossas praias, nossas cidades históricas e nossa gastronomia.
Outra pendência brasileira é a infraestrutura. No país inteiro, obras que seriam um importante incentivo para o turismo simplesmente não andam
Outra pendência brasileira é a infraestrutura. No país inteiro, obras que seriam um importante incentivo para o turismo simplesmente não andam. No Espírito Santo, o novo aeroporto da Capital demorou anos para sair do papel; o trecho da BR 101 que corta o Estado enfrenta problemas; e os portos capixabas não têm estrutura para receber navios de cruzeiro, que passam direto pela nossa costa.
Também faltam políticas que beneficiam o turismo interno. Recentemente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mudou o marco regulatório permitindo que as empresas cobrassem pela bagagem despachada. A ideia, entre muitas outras permitidas pelo novo código, era diversificar o mercado, atrair novas empresas e, consequentemente, reduzir as tarifas.
Parece, que, até o momento, isso não funcionou: os preços estão cada vez mais altos e nem mesmo as empresas que deixaram de voar com a crise, voltaram aos seus postos, já que a alta carga tributária dificulta a operação.
Viajar dentro do Brasil é caro para nós e para quem vem de fora: diferentemente da Europa, por exemplo, nós não temos empresas aéreas de baixo custo e os gringos estão acostumados a pagar pelo que é de direito, e não pelo que alguém acha que deve cobrar.
É por isso, também, que a maioria dos estrangeiros fica restrita ao eixo Rio-São Paulo e, quase sempre, não chega a outras cidades. Vitória, por exemplo, ainda está longe de entrar, de fato, na rota dos viajantes internacionais. Talvez falte informação – em inglês –, talvez seja simplesmente uma questão de ajustar a estratégia. Só não dá para esperar que a decolagem atrase ainda mais.
*O autor é jornalista e blogueiro de viagens