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Vitor Vogas

Por que Hartung fica no PMDB?

Fechado com Renato Casagrande, o especialista em segurança e instrutor Marcos Do Val trocou o PSB pelo PPS para participar da eleição. Pretende lançar pré-candidatura ao Senado em junho

Publicado em 13 de Abril de 2018 às 23:33

Públicado em 

13 abr 2018 às 23:33
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Crédito: Amarildo
Por que Paulo Hartung decidiu permanecer no PMDB após ter sinalizado que poderia trocar de partido algumas vezes ao longo dos últimos dois anos? No fim de 2016, Hartung chegou a manifestar com todas as letras, em entrevista à CBN, sua vontade de filiar-se a outra legenda mais conectada com seu próprio pensamento político, dentro do campo da social-democracia. Agora, alega que o sistema partidário brasileiro ruiu, inclusive o PMDB, e diz esperar que o país faça em breve uma reforma partidária verdadeira que se faz imprescindível. Enquanto esse dia não chega, vai ficando no PMDB, onde ninguém o incomoda e onde ele tem total liberdade para fazer política em nível regional como acha que deve fazer.
“Na época em que dei aquela entrevista, as duas Casas do Congresso estavam discutindo uma reforma política. Então eu mostrei ali a expectativa que eu tinha de que as duas Casas do Congresso operassem uma reforma política, ou seja, reestruturassem a nossa Lei Eleitoral, que é atrasada e beira o caótico, e reorganizasse a Lei Partidária do país, porque não é possível um país ter mais de 30 partidos políticos”, critica o governador.
“Isso não existe. Isso é o surrealismo. Então, eu dizia lá e repito agora para você que eu estava torcendo para que a reforma política fosse feita. E, a partir daí, eu pretendia migrar para um partido que pudesse ter o contorno programático do que eu penso para o mundo, para o Brasil, para o desenvolvimento do nosso Estado e assim por diante. Que eu pudesse ter uma filiação com conteúdo programático, pois acho que é para isso que servem os partidos. Usando uma expressão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ‘partido é uma parte’. É um pedaço do pensamento que opera dentro da sociedade. Eu esperava isso.”
Mas isso não se confirmou. A chamada “reforma das reformas” – uma profunda reforma política que realmente faça jus ao nome –, mais uma vez, ficou no esboço. Por isso, argumenta PH, trocar de sigla agora não faria sentido e continuará sendo medida inócua enquanto a questão de fundo (macropolítica) não for resolvida.
“Acho que uma hora vai ter uma reforma política, partidária e eleitoral no país, que vai me permitir ter uma militância partidária. Se eu mudasse de partido agora, seguramente eu teria que mudar de novo ali na próxima esquina. Porque vai vir uma reforma política, mais dia, menos dia. Não é possível que este país não seja capaz de produzir essa reforma. Acho que isso vai ocorrer rapidamente no nosso país, por tudo o que estamos vivendo neste período duro. Então acho melhor fazer uma definição partidária a partir de uma reforma política.”
Até porque, completa Hartung, o problema não está só no PMDB. Não que ele poupe a legenda na qual continua: “O PMDB não é um partido. É, declaradamente, uma confederação de partidos regionais”. Mas entende que o sistema ruiu por inteiro, sendo todos os partidos atuais tragados pela mesma nuvem de pó. “Quem quiser olhar com isenção o sistema partidário do país vai perceber que ele ruiu. Fez água. Temos um arremedo de sistema partidário. Isso é geral. Temos que reinventar o sistema partidário brasileiro. Não ficou nada de pé.”
Antes, então, de trocar uma sigla por outra, o governador diz esperar uma mudança real no sistema em que operam essas siglas. “Não é sair do PMDB. Até porque não sei nem se o PMDB vai existir com uma reforma dessas. Não sei nem quais partidos vão existir. O que estou absolutamente disposto é buscar uma filiação partidária que seja compatível com o movimento programático que tenho, a partir de uma reforma política.”
E agora, PH apoia Temer?
A priori, mesmo tendo decidido ficar no PMDB, Paulo Hartung se sente desobrigado de apoiar Temer ou o eventual candidato do presidente à própria sucessão no Planalto, só por estar na mesma legenda. Pode – aliás, tende a – trilhar caminho parecido com o que tomou na eleição presidencial de 2014. Na ocasião, em defesa da “alternância no poder”, Hartung apoiou Aécio (PSDB) mesmo com o PMDB no palanque de Dilma (PT).
Unidunitê...
“Já vou começar a receber os candidatos (à Presidência). Eles vão vir aqui me visitar. Já tem dois ou três marcados. Vou conversar, vou conhecer o pensamento de todos eles. E, seguramente, vou procurar um caminho bom para o país”, afirmou Hartung em entrevista à coluna, na última quinta. E vai mesmo. No dia 23, ele recebe Flávio Rocha (PRB). Já no dia 26, será a vez de Geraldo Alckmin (PSDB).
Hartung sobre Alckmin
“Geraldo é um amigo. Uma pessoa por quem tenho muito carinho.”
O que ele vai fazer?
“O que nós vamos fazer em nível nacional? Nós vamos apoiar – tem que esperar para ver o quê – algum candidato. Talvez no 1º turno isso seja difícil. Talvez só se defina no 2º turno. Precisa ter muita paciência. Um candidato que tenha compromisso com um programa reformador e reformulador do nosso país, no sentido de modernizá-lo para este mundo integrado em que estamos vivendo”, responde Hartung. “Vamos participar de um movimento nacional – espero que ele ganhe uma cara boa até julho, agosto – que trabalhe a modernização deste país.”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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