Comumente nos valemos de uma leitura analítica dos acontecimentos e dos números do último trimestre de cada ano para lançarmos âncoras que deem suporte às expectativas para o ano seguinte. Como expectativas espelham os consensos que se formam em um ambiente de incerteza em relação ao futuro, sempre haverá espaço para previsões pouco ou nada assertivas, principalmente em se tratando da economia. Mas haverá também espaço para aproximações de acertos.
As projeções e expectativas para 2019 espelhadas nos últimos acontecimentos de 2018, vistas hoje, não eram alvissareiras. Afinal, havia uma enorme incerteza em relação ao novo governo que se instalaria em janeiro. O ano de 2018 terminara muito mal tanto do ponto de vista da economia quanto da política. Porém, o foco maior das preocupações centrava-se na política, que se tornara palco de embates radicais nas eleições. Para o mercado, não restou senão postar-se em posição de espera até que sinais mais claros apontassem para um ambiente de horizontes mais claros. Assim, manteve o pé no freio, contribuindo, inclusive, com quedas sucessivas do PIB até o meio do ano.
O ano de 2019, que começou mal e até piorou no decorrer do seu primeiro semestre, termina razoavelmente bem se observarmos o histórico dos últimos quatro anos e o “estado” de expectativas para 2020. Naturalmente, esse desfecho positivo de 2019 espelha um ambiente político, e consequentemente também econômico, melhor e faz alimentar expectativas mais favoráveis para o próximo ano. Assim, não será surpresa o PIB crescer algo no entorno de 2,5%.
Poderíamos ter tido um ano melhor? Acredito que sim. Poderíamos estar colhendo resultados melhores. O governo federal, sem dúvida, demorou em demasia a se posicionar em questões importantes. Como foi no caso da reforma da Previdência. No entanto, em contrapartida, ajudou em muito o protagonismo do Congresso, que mesmo em meio a alguns sobressaltos, acabou dando aval a reformas essenciais para a retomada do crescimento da economia.
O certo é que estamos agora diante de condições mais favoráveis ao crescimento da economia, sobretudo se observarmos componentes de estabilidade: juro básico, inflação, câmbio e déficit público com solução encaminhada. Porém, o lado mais frágil e susceptível a crises, e com alto potencial de impacto na economia, ainda está na política. E é onde devemos trabalhar com mais afinco.