É uma barbaridade que, em menos de 24 horas, tenhamos passado do clima de guerra em Central Carapina, na Serra, para a explosão de uma agência do Banco do Brasil, em Vila Velha, numa ação com requintes de terrorismo dos bandidos. A violência não tem dado trégua, mas de terça para quarta-feira ela passou dos limites. Tanto que, nesse meio-tempo, um motorista de Uber foi assassinado. Motivações criminosas que podem ser diferentes, mas a insegurança é a mesma. E atinge a todos.
Se no Rio a violência institucionalizada se instaurou a ponto de levar à intervenção federal, mesmo cercada de controvérsia, não podemos correr o risco de banalizar a situação do Espírito Santo com comparações rasteiras. Neste momento, os esforços para impedir a entrada de bandidos cariocas no Estado são importantes, mas independentemente disso é sempre bom lembrar: nossos problemas já são muito graves. As dinâmicas podem ser distintas, vide outros Estados que enfrentam sérias adversidades na segurança pública, como Ceará e Rio Grande do Norte, mas a essência é a mesma: um país em que as oportunidades ainda são restritas é terreno preparado para o enraizamento da violência. Há desafios sociais gritantes, destacadamente na educação, e é urgente a redução desses abismos.
O enfrentamento da criminalidade, contudo, não é secundário. Para tanto, só uma estrutura policial coesa, bem equipada e munida de informação pode ser capaz de impor a presença do Estado a regiões como Central Carapina, dominada por gangues do tráfico. É o bairro mais violento do Espírito Santo. Em setembro, este jornal mostrou que, somente nos sete primeiros meses do ano passado, 20 pessoas haviam sido assassinadas na região. São quase 7 mil moradores sob o domínio do medo.
A estrutura do crime em terras capixabas, ao que parece, é mais localizada, mesmo que bandidos de fora eventualmente se aventurem por aqui. É preciso minar possíveis conexões nacionais e internacionais, ainda pontuais. Não se pode deixar que a ousadia de bandidos torne-se um estímulo sem volta para a criminalidade no Estado.