O ano termina com bons resultados na economia brasileira. A inflação está abaixo da meta, a taxa de juros Selic no menor patamar da história, o Ibovespa batendo recordes, o déficit das contas do governo federal abaixo da previsão, o PIB em ascensão, o desemprego em declínio e as vendas do varejo retornando ao nível de 2012, período pré-recessão. Tudo de forma moderada – falar “moderadíssima” talvez seja a forma mais adequada – mas sinalizando para o positivo, o que é uma grande coisa para um país que mergulhou há quatro anos na maior recessão da sua história.
A expressão “moderadíssima” se justifica porque a melhoria ainda não é aquela que todos gostaríamos de ter. Os juros, por exemplo, estão no menor nível da sua história na taxa Selic, a que é fixada pelo Banco Central, mas na rede bancária ainda estão nas alturas. No cheque especial e nos cartões de crédito continuam no nível pornográfico, para repetir a expressão utilizada por um político nada confiável que, apesar disso, fez um relativo sucesso no final do século passado.
O PIB também continua patinando em redor do 1% ao ano sem ter ainda recuperado a totalidade da queda de 7% ocorrida em 2015 e 2016 – um dos legados mais cruéis dos governos Lula-Dilma – mas o terceiro ano de taxas positivas indica que o país está no caminho correto. É preciso compreender, ainda, que ninguém sai da maior recessão de sua história sem sequelas.
Uma dessas sequelas – a mais dolorosa – é o desemprego que continua nas alturas. Os postos de trabalho têm aumentado desde 2017, mas o crescimento é lento e as oportunidades aumentam mais na informalidade onde a remuneração é mais baixa. Na área do trabalho os desafios são ainda maiores, já que além dos desafios conjunturais – decorrentes da atividade econômica – há os desafios estruturais dos avanços tecnológicos que substituem o trabalho manual e repetitivo e exigem uma maior qualificação dos trabalhadores.
Como pano de fundo desse cenário está a necessidade imperiosa de o Estado brasileiro – União, Estados e municípios – recuperar o equilíbrio fiscal para retomar a capacidade de investimento. O equilíbrio das contas está sendo buscado na implementação da reforma da Previdência, na redução dos gastos com o funcionalismo e na racionalização dos gastos públicos, já que ninguém desconhece que o peso da máquina pública há muito ultrapassou a capacidade de financiamento do brasileiro.
Os desafios não foram superados, mas há fundadas razões para que o otimismo volte a imperar no Brasil neste final da segunda década do novo milênio.