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Alvaro Abreu

Os últimos dias foram de fortes emoções e perdas inestimáveis

Foram de dias de fortes emoções, da agonia do Museu Nacional ao aumento da gasolina

Publicado em 06 de Setembro de 2018 às 13:53

Públicado em 

06 set 2018 às 13:53
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Incêndio no Museu Nacional em Sao Cristovão, Zona Norte do Rio Crédito: MARCOS ARCOVERDE
Esses meus últimos dias foram cheios de emoções. Adorei rever antigos frequentadores da Praia do Canto no encontro anual na Curva da Jurema e senti a morte de Marcos Murad, personagem relevante dos tempos de Praia Tênis Club. Vibrei com Claudinho Tovar, amigo daquela época, recebendo homenagem na abertura do Festival de Cinema de Vitória, e assisti ao depoimento comovente de uma mulher que se despediu do Rio Doce e do mar de Regência, em documentário sobre a tragédia provocada pela Samarco.
Tentei fazer, pela primeira vez, duas colheres iguais, para dar de presente a um ex-aluno de 1972 e a um primo que eu não via há 50 anos, durante conversa amistosa sobre nossas vidas e especulações sobre o futuro que nos aguarda.
Revi, satisfeito, casal querido e vibrante que, há mais de 30 anos, come raspa de casca de limão orgânico no café da manhã para manter a saúde perfeita. Recebi com alegria mensagem entusiasmada de amigo paulista se dizendo livre das 150 mg de ciclosporina que tomou durante oito anos e que estavam lhe causando problemas, inclusive tremedeiras.
Conheci a amplitude deslumbrante do hipódromo do Rio, torci por cavalos que escolhi pelo jeitão na pista e observei tipos de aficionados do turfe. Caminhei em volta do Museu do Amanhã, visitei a exposição impecável de dez pintores modernistas na Casa Roberto Marinho e assisti, atônito, pela TV, a agonia do Museu Nacional. Passei boa parte de uma manhã às voltas com quadros, fotografias, desenhos e escritos deixados por mamãe, verdadeiros testemunhos de sua existência.
Ouvi no rádio do carro, com irritação, notícia de aumento da gasolina, justificado pela alta especulativa do dólar. Acompanhei, surpreso, o voto solitário do ministro Fachin defendendo a eficácia de documento assinado por dois consultores da ONU em favor de candidatura proibida por lei brasileira.
Constatei a convicção de 11 entre 13 motoristas de táxi do Rio de Janeiro de votar em candidato falastrão, o que me fez pensar, com inquietação, nos rumos da eleição para presidente deste nosso país.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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