(Vinícius Valfré interino)
Já faz dez anos desde que a primeira campanha de Barack Obama, nos Estados Unidos, mostrou como a internet poderia ser eficaz para conversar com os eleitores, arrecadar recursos e conquistar votos. De 2008 para cá, no Brasil, a cada eleição vive-se uma expectativa de que os resultados eleitorais estarão diretamente atrelados à qualidade da atuação dos candidatos nas redes sociais. Não tem passado disso, de expectativa.
Contudo, alguns ingredientes das eleições de 2018 elevam as chances de as redes sociais serem finalmente decisivas. Fake news, desinformação e robôs preocupam. No aspecto positivo, as redes sociais posicionam-se como a alternativa “barata” para superar a proibição do financiamento empresarial e a campanha mais curta. Além disso, podem funcionar como uma extensão da TV. Afinal, é no Facebook que o favorito nas pesquisas, Jair Bolsonaro, se faz. Se depender do tempo de TV que seu nanico PSL lhe dará, não estará no páreo.
Esta campanha não transcorrerá pelos mesmos 90 dias de 2014 na TV e no rádio. Serão só 45. “A campanha já começou na internet, 45 dias de campanha na TV é pouco. A televisão reforça a imagem que o candidato já tem na internet. A eleição de 2018 vai ser a primeira em que a internet será o principal meio, para o bem e para o mal na formação da imagem do candidato”, aposta o pós-doutor em Comunicação Sérgio Denicoli.
Dados do IBGE de 2017, divulgados em abril último, mostram que a internet está em 70% dos lares brasileiros. É um número expressivo, sobretudo porque o mesmo IBGE mostrou que serviços fundamentais como conexão à rede de esgoto e coleta de lixo só chegam a, respectivamente, 66% e 33% das casas.
Como dificulta o rastreamento das mensagens, o WhatsApp, altamente popular no Brasil, é a grande sombra desta eleição, embora Twitter e Facebook também sejam campos férteis para a desinformação. Candidatos, estrategistas e apoiadores mal intencionados certamente usarão o aplicativo.
Mas é no Facebook, com seus mais de 92 milhões de usuários no Brasil, segundo dados de 2014 do próprio site, que os candidatos têm concentrado seus esforços. Em tese, é na rede social de Mark Zuckerberg que eles dirão o que pensam, vão interagir com os eleitores e vão apresentar suas propostas. Em tese.
“No Estado, a expectativa é de que seja mais do mesmo. Não tenho expectativas de estratégias arrojadas. O eleitor está em busca de interação. Poucos candidatos criaram espaços de relacionamento com o eleitorado. A maioria criou espaço de informação, para dizer que está em tal lugar, em determinado evento”, comentou o consultor em marketing político Darlan Campos.
Os debates de TV seguem decisivos, como avaliou o diretor de Comunicação e Marketing da FGV, Marcos Facó, em recente entrevista para A GAZETA. Claro que o Brasil vai se interessar pelos debates da reta final da campanha. Mas o Facebook terá, sim, o seu peso.
Os políticos no Face
Os principais pré-candidatos do Espírito Santo e do Brasil estão no Facebook, a maior rede social do mundo. Com a ferramenta Crowdtangle, oferecida pela própria empresa, é possível mapear o volume de engajamento que cada um gera nas respectivas páginas oficiais. O panorama na internet é o seguinte:
Governo do Estado
Entre os três principais pré-candidatos ao Palácio Anchieta, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) é o que mais consegue envolver os internautas. De junho de 2016 a junho de 2017, ele gerou por mês, em média, 27,1 mil interações. Isso quer dizer que tudo o que ele postou no Facebook recebia, por mês, 27,1 mil comentários, curtidas (ou qualquer outra reação) e compartilhamentos.
Tímidos
A página da também pré-candidata Rose de Freitas (Podemos) teve uma média de aproximadamente mil interações por mês. O pico foi em outubro do ano passado, com 2.015. Já a página do governador Paulo Hartung (MDB) nem sequer foi atualizada no período.
Diferente
Hartung reapareceu no Instagram, em novembro de 2017. Naquela rede social, tem cerca de 3,5 mil seguidores e cada post recebe aproximadamente 200 curtidas.
E daí?
De acordo com especialistas, a maior ou menor intensidade da presença do político do Facebook depende do perfil do eleitorado que ele busca. Mesmo assim, concordam que é preciso ter boa presença na internet ainda que seja apenas para rebater críticas e desconstruir boatos.
O Senado
Com quase 4 milhões de seguidores, Marcos do Val (PPS) é, de longe, quem mais gera interação engajamento na internet, entre os pré-candidatos do Estado. De junho a junho, foram, em média, 1,2 milhão de interações por mês. Ele usa o Facebook há anos e se consolidou falando de temas que despertam paixões na rede social, como armas e punição a criminosos e polícias
E daí?
Nada garante que conseguirá reverter tudo isso em votos, até porque boa parte dos fãs de Marcos do Val nem vota no Espírito Santo. De qualquer forma, há de se reconhecer a facilidade que ele terá para pedir votos para muitas pessoas, com poucos cliques. Mas, enquanto isso, ele não aparece como forte candidato, de acordo com a última pesquisa publicada em A GAZETA.
Aí não dá
Um dos posts com melhor performance no Facebook de Marcos do Val é um no qual ele comemora o fato de ser “o que mais cresce nas pesquisas”. Só que o pré-candidato ao Senado juntou, em um mesmo gráfico, resultados de pesquisas diferentes, feitas com metodologias diferentes, por institutos diferentes, em períodos diferentes. Quem quiser acreditar que acredite.
Áudio e vídeo
Depois de Do Val, Magno Malta é o político local com mais seguidores: 1,5 milhão, conquistados com conteúdo duvidoso, como a transmissão ao vivo de seu “tribunal moral” com acusados de praticar pedofilia. De junho a junho, gerou, por mês, nada menos do que meio milhão de comentários, curtidas e compartilhamentos.
E os presidenciáveis?
Bolsonaro é o que mais tem seguidores, com 5,3 milhões. Lula aparece em segundo, com 3,4 mil. Por incrível que pareça, os 1,1 milhão de seguidores de João Amoêdo (Novo) fazem dele o quarto com mais seguidores no Facebook. Marina Silva é a terceira, com 2,3 milhões.
Caras conhecidas
Entre Geraldo Alckmin, Marina Silva, Ciro Gomes e Flávio Rocha, quem você acha que teve mais visualizações em seus vídeos no Facebook, entre junho de 2017 e o último? Ele mesmo, o ex-presidente da Riachuelo, pré-candidato do PRB. No período, foram 34,5 milhões de visualizações.
Movimento
Como anda o desempenho do MBL, movimento que nasceu e cresceu no Facebook? Anda mal.