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Vitor Vogas

Oposição chega ao poder na OAB-ES: o fim da era Homero Mafra

Além da derrota do atual presidente, o dado mais importante dessa eleição é que, pela 1ª vez neste século, uma chapa de oposição chega ao comando da Ordem no Espírito Santo.

Publicado em 28 de Novembro de 2018 às 21:22

Públicado em 

28 nov 2018 às 21:22
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Praça Oito - 29/11/2018 Crédito: Amarildo

Dez anos durou a Guerra de Troia, cujos últimos dias são narrados na “Ilíada”, poema épico de Homero. Dez anos durou o retorno marítimo de Odisseu (Ulisses) a Ítaca, sua terra natal, após o triunfo dos gregos sobre os troianos, como o mesmo Homero cantou em versos na “Odisseia”. Mais de dez anos permaneceu Homero Junger Mafra no primeiro escalão da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Espírito Santo (OAB-ES), sendo quase uma década (nove anos, para ser preciso) como protagonista desta epopeia recente.

De 2007 a 2009, Homero foi conselheiro e presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativa da OAB-ES, durante a gestão de Antonio Augusto Genelhu Junior. Em 2009, com o apoio de Genelhu, chegou à presidência da entidade máxima de representação dos advogados no Espírito Santo, vencendo a primeira de suas três eleições seguidas. Em 2012, após a segunda vitória, declarou que não tentaria um terceiro mandato. Em 2015 voltou atrás, após o recuo do seu então candidato, Luciano Machado. Desta vez, Homero conseguiu lançar um candidato à sucessão. A missão coube ao atual secretário-geral da OAB-ES, Ricardo Brum, que polarizou a campanha com um dos dois candidatos de oposição, José Carlos Rizk Filho.

Mas o que prevaleceu nas urnas foi o desejo de renovação, presente até no nome da Chapa 2, a de Rizk, eleito ontem presidente com 53% dos votos. Genelhu chegou à presidência em 2006 com apoio do então presidente, Agesandro da Costa Pereira. Homero, três anos depois, com o apoio de Genelhu. Portanto, além da derrota de Homero, o dado mais importante dessa eleição é que, pela 1ª vez neste século, uma chapa de oposição chega ao comando da OAB-ES.

O simbolismo do fato histórico confere a Rizk uma responsabilidade extra, além da que qualquer presidente eleito já teria: a de tirar esse conceito de “renovação” do papel e dos adesivos de campanha e o transpor para a prática – ou melhor, para a prática advocatícia dos cerca de 30 mil profissionais que terão nele uma referência pelos próximos três anos.

Como ele pretende fazer isso? Na prática, o que realmente será diferente em sua gestão? “Essa renovação vai ser na prática, quando começarmos a implementar o que a situação diz que é impossível. A ideia é justamente esta: renovar para implementar. Quem está na situação acredita que não é possível pôr em pratica, exatamente por já estar ali há muito tempo”, afirma ele, dando como exemplo o projeto de anuidade zero para todos os advogados registrados na OAB-ES, um dos mais importantes da campanha.

A ideia é buscar parcerias para formar uma espécie de clube de empresas parceiras da OAB-ES (restaurantes, lojas etc.). Cada vez que o advogado consumir e gastar em uma empresa do clube, ele terá esse valor abatido de sua anuidade. “É um sistema que já existe com sucesso na OAB de Pernambuco”, cita Rizk.

O próximo presidente afirma que baseará o seu mandato em três vetores: gestão, eficiência e transparência, com ênfase no último. Ele conta que todos os contratos da OAB-ES serão apresentados no site oficial, assim como todas as receitas. Outro compromisso é criar uma gerência de compliance, com gente de fora da OAB-ES, para fiscalizar os atos da próxima diretoria. Além disso, segundo Rizk, nenhum diretor da OAB-ES poderá ter vínculo de qualquer natureza com empresas que prestem serviços à entidade. Rizk ainda quer profissionalizar a Comissão de Prerrogativas e melhorar o atendimento aos advogados nesse campo.

Fato é que, a partir de janeiro, começa a ser escrita uma nova história na OAB-ES, agora protagonizada por Rizk.

Mais rápido que Brum

Após o resultado matemático, Homero ligou para Rizk para parabenizá-lo. Fez isso antes mesmo de Brum (seu candidato) e de Elisângela Melo, a 3ª colocada. Em nota, Homero disse que as portas da Ordem estarão abertas ao sucessor. Resta saber se todas as chagas da campanha estarão fechadas.

Homero e Bertolucci

Morto nesta semana, o cineasta Bernardo Bertolucci era um marxista convicto. Homero é um homem de esquerda. Terá dançado ontem seu último tango político? Terá sido o último imperador da OAB-ES?

Trocadilho à parte...

Apesar do longo tempo em que permaneceu no poder, Homero não pode, com justeza, ser chamado de “imperador”. É um legalista, um democrata e um defensor do Estado de Direito.

Uma vaga é de Vicente

Só falta definir a pasta, mas é fato: como publicamos no Gazeta Online na última terça-feira, o deputado federal Marcus Vicente, presidente estadual do PP, fará parte do secretariado de Renato Casagrande (PSB). Na próxima segunda ou, no máximo, terça-feira, eles terão reunião para definir a secretaria. Vicente pode assumir a de Agricultura, a de Esportes ou a de Turismo, já comandada por ele no governo passado de Hartung, de abril de 2007 a abril de 2010.

Fora dos planos

Não tínhamos planejado esta errata, mas ela se faz necessária: Davi Diniz (PPS) será chefe da Casa Civil de Casagrande, não secretário de Planejamento (como publicamos ontem, em nota sobre seu sucessor na Fazenda em Vitória).

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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