O corte tem sido profundo e vem expondo a rede criminosa que colocou a ganância acima de vidas que deveriam ser protegidas. Pela primeira vez desde o início das investigações, em outubro do ano passado, médicos foram presos na Operação Lama Cirúrgica. Um episódio lamentável, mas também um sinal claro de que ninguém está acima da lei, sejam empresários ou profissionais da saúde.
Justamente por se tratar de um caso de tamanha gravidade, que atinge diretamente a população num setor tão sensível, a apuração do esquema de reaproveitamento de material hospitalar deve ser exemplar. É inaceitável que se coloque a saúde da pessoas em risco, ainda mais de uma forma tão friamente calculada.
Qualquer rastro de envolvimento de hospitais - públicos e privados -, planos de saúde e médicos deve ser seguido com afinco. É preciso ir cada vez mais fundo. Há também indícios de conexões internacionais que não podem escapar, sob o risco de os crimes continuarem em outras ramificações.
É, acima de tudo, uma questão de respeito. Aos pacientes e seus familiares só resta, ao passarem por enfermidades, a confiança nesses especialistas, e ela não pode ser abalada. A má conduta de alguns profissionais não pode estremecer a credibilidade da classe médica.