Receber uma visita numa casa imunda e desarrumada é um vexame, não? É exatamente isso que se passa nas praias com esgoto a céu aberto mostradas em reportagem de A GAZETA. Acabamos passando vergonha diante dos turistas que vêm aproveitar o verão no litoral capixaba, mas o mais grave de tudo: é uma questão séria de saúde pública.
Embora os avanços na universalização do saneamento básico existam, há ainda muito a ser feito. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2016, do IBGE, apontou que 79% dos domicílios capixabas estavam até então diretamente ligados ou têm fossas conectadas à rede de esgotamento sanitário. A prova de que o déficit é grande está na quantidade de esgoto visível. Manguinhos e Praia do Morro não são casos isolados do descaso com o meio ambiente.
O poder público precisa cumprir o papel de universalizar a rede de recolhimento. Mas o usuário também é parte fundamental do processo, precisa estar comprometido. Em Vitória, por exemplo, a informação oficial é de que 90% da população têm rede disponível, mas apenas 74% fizeram a conexão. Até prédios públicos são agentes da poluição, como também já mostrou A GAZETA.
É preciso também desamarrar os nós que entravam esses serviços. É o caso de incentivar ainda mais parcerias público-privadas, capazes de suprir a carência de recursos públicos e ainda garantir mais eficiência na execução e na gestão.