Mesmo que os números que apontam o crescimento expressivo de roubos e furtos de veículos no Estado levantados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018 sejam referentes a 2017 na comparação com 2016, não se pode fechar os olhos para um dos crimes que mais inflam a sensação de insegurança.
No caso isolado dos roubos, no qual a violência é usada de alguma forma para a subtração de carros e motos, houve um salto de 3.392 registros em 2016 para 6.079 no ano seguinte. Uma ascensão que deve ser creditada aos dias de selvageria passados durante a greve da PM, em fevereiro do último ano. Mas as autoridades de segurança pública não podem se apegar a essa justificativa para as estatísticas: os crimes, associados a outros subnotificados, como roubos de celulares e bicicletas, continuam ocorrendo e tornando as ruas mais perigosas.
Na semana que passou, ficou ainda mais evidente que a Grande Vitória passa por uma onda de crimes contra o patrimônio. As madrugadas de segunda e terça-feira registraram algumas ações audaciosas, como a invasão de uma academia na Enseada do Suá e o arrombamento de uma loja de eletrodomésticos em Porto Canoa com o uso de um carro. O Sindicato dos Lojistas do Comércio de Vitória (Sindilojas), com base em dados de 2017, afirma que 10 estabelecimentos comerciais são arrombados por dia no Estado, sendo metade dos casos na Grande Vitória.
Os comerciantes, assim, vão acumulando prejuízos. Não bastasse a crise econômica, ainda têm que amargar mais perdas. A ironia é que a mesma crise, que impõe ao país desde 2015 um nível de desemprego intolerável, é a que motiva o crime, principalmente os patrimoniais. Parece um beco escuro e sem saída, mas não é. O país precisa apostar no crescimento econômico para voltar a criar oportunidades e promover a justiça social.