A crise econômica na Argentina está atrapalhando o avanço do PIB capixaba. As exportações diminuíram.
Os embarques do nosso litoral para todos os destinos caíram 2,45% de janeiro a agosto, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). E uma das causas desse tombo é que os vizinho do Sul empobreceram e estão comprando menos.
O dólar valorizou-se 80% ante o real em 2018, até agora, e tem ajudado as vendas ao exterior. Mas não para a Argentina. Lá, o dólar vale 40 pesos, encarecendo muito os produtos de fora, e a moeda tornou-se muito escassa. O país está afundando em recessão.
E o FMI não vai dar dinheiro para a Argentina gastar mais. A Casa Rosada terá de bloquear recursos e transformar o seu déficit comercial em superávit, o que obrigará cortes mais drásticos nas importações. Isso soa desagradável para as exportações brasileiras. Trata-se do terceiro maior parceiro comercial do Brasil (depois da China e dos Estados Unidos).
Para o Espírito Santo, a Argentina foi o quarto maior mercado no exterior, até o final de 2017. Respondeu por US$ 77,6 milhões, ou 5,7%, no saldo comercial capixaba de US$ 1,35 bilhão no quarto trimestre de no ano passado, segundo pesquisa do Instituto Jones dos Santos Neves.
Mas, começou a cair no ranking das exportações capixabas a partir de junho, quando aumentou a turbulência econômica da era Macri. Despencou para oitavo lugar em agosto, quando comprou US$ 21,5 milhões, com participação de apenas 3,1% no bolo de todos os embarques locais – quase a metade da fatia de 5,7% no final de 2017.
A repercussão para a economia do Espírito Santo seria pior se não houvesse a contrapartida do aumento de 15,5% nas importações (apesar do definhamento do Fundap). As compras no exterior garantiram a expansão de 4% na corrente de comércio capixaba de janeiro a agosto, e isso é importante em termos de negócio, emprego e renda.
É descabido reviver a desconfiança do efeito Orloff. Isso se dizia nos anos 80, por inspiração da propaganda de uma vodca que prometia: “eu sou você amanhã” (sem ressaca no dia seguinte). O Brasil dos próximos anos vão vai ser a Argentina de hoje. Aqui, a inflação é baixa, as reservas internacionais altas, e o déficit externo sossegado.
Mas é preciso ser mais competitivo, expandir mercados e depender menos das compras argentinas.