Terminada a folia, o Brasil não vai descansar. Tem muito a cuidar na economia e na política. Deve se preparar para volatilidade nos dois campos.
A reforma da Previdência é o primeiro round, depois do carnaval. Se não sair em fevereiro, o mundo não se acabará, mas o preço do fracasso será alto. Por certo, virão mais impostos e novos cortes de verbas para reduzir a sangria fiscal. Implicaria em piora de serviços à população.
O horizonte de incertezas pode se potencializar caso se consolidem candidaturas populistas, de direita ou esquerda, ao Planalto. Basta um aceno sobre interrupção do ajuste fiscal para criar um clima de barata voa na economia. Os juros voltariam a subir. O dólar, idem. Investidores mergulhariam.
A partir de maio ou junho, o mercado deve precificar com mais rigor o receio de um populista na cadeira presidencial. Consultorias renomadas falam em dólar perto de R$ 4 nos próximos meses. Em caso de ascensão de um candidato moderado,ficaria em torno de R$ 3,40. Mas, até que ponto o perfil do centrista inspiraria confiança?
Além disso, fatores externos rondam o Brasil como leões famintos prontos para atacar a economia. Os EUA são os grandes culpados. O corte de impostos, o maior desde 1986 (era Reagan) e a alta de juros naquele país, mexem com o mundo inteiro e podem tirar recursos do nosso mercado. O dólar se valorizaria ante o real e pressionaria a inflação. O BC teria de agir.
Desde que Trump assumiu o poder, o Dow Jones, índice da Bolsa de Nova York, registrou quase 80 recordes até janeiro de 2018. Mas, ele desastrado. O ímpeto de mexer nos juros e aumentar o rendimento dos títulos públicos em “timing” apressado tirou motivos para aplicação em ações, causando prejuízos a muitas empresas. Fez disparar o gatilho do “modo pânico” nos pregões dos EUA, e em todo o planeta.
Salões empresariais americanos sussurram a possibilidade de crise constitucional em Washington, devido ao confronto do presidente com o FBI e com o Judiciário. Ao mesmo tempo, crescem apostas de que Trump provocará guerras – comerciais e militares –, desestruturando relações econômicas e a paz entre nações.
Este cenário alerta o Brasil para melhorar suas contas públicas. O amanhã traz graves incertezas.
*O autor é jornalista