Lemos recentemente no jornal uma entrevista com o secretário de Turismo do Estado sobre os pretensos novos rumos daquela secretaria em favor do turismo local, elencando os nichos oferecidos pela mãe natureza e, por outro lado, citando alguns ingredientes que podem transformar essa nossa indústria em uma das maiores referências turísticas na Região Sudeste.
Como mineiro “naturalizado” capixaba há mais de seis décadas, temos insistido, por meio de textos e conversas de pé de ouvidos, que o que temos aqui de belezas naturais e infraestrutura são mais do que suficientes para fazer do turismo capixaba tipo “exportação”.
O secretário fez referência aos cenários naturais, como praias e montanhas, mas temos, além disso, atrações que, bem trabalhadas, podem ser transformadas em viés turístico de negócios e de lazer, como o agronegócio, que tem como alguns de seus ícones os cafés especiais produzidos aqui, tipo exportação, além do arábica e o conilon. Um exemplo de como tirar proveito disso é, em época da florada dos cafezais, levar turistas para contemplar essa beleza.
Fora isso, temos a pesca artesanal, que em algumas regiões do país, é considerada parte essencial do turismo. E as paneleiras com suas famosas panelas de barro, também tipo exportação. O que dizer, então, dos mármores branco, preto e rosa, granito produzido no Sul do Estado e exportado para vários continentes?
Deixemos de lado, por enquanto, o agronegócio, a indústria do mármore e a pesca em geral, e concentremos nossa atenção no turismo religioso, tão trabalhado e bem explorado com enormes apelos turísticos pelos demais Estados da Região Sudeste.
Aqui no Espírito Santo, o Convento da Penha, a festa da padroeira, a procissão dos homens de Vitória a Vila Velha, a puxada do mastro durante a Festa de São Benedito, o Santuário de Santo Antônio, na Capital, e o Santuário de José de Anchieta, em Anchieta, são alguns exemplos de como a fé pode contribuir para o turismo. Porém, gestores do turismo estadual sequer tocam neles!
O secretário de Turismo lamenta o fato de a verba destinada ao setor ser muito restrita, cerca de 1% do orçamento do Estado (de fato, acreditamos que deveria ser bem mais do que isso), mas com bastante criatividade e boas parcerias envolvendo empresas privadas e prefeituras, a impressão é que se pode fazer muito mais do que tem sido feito para vender, ou melhor, exportar o turismo capixaba, pois quantidade e qualidade não nos faltam.
*O autor é jornalista