Por mais impaciente que esteja a sociedade diante de tanta brutalidade, o combate à violência não pode ser pautado por reações desmedidas, que não levem em conta a profundidade do problema. A segurança pública é dos temas mais sensíveis justamente por exigir tanto conciliações quanto rupturas, nem sempre fáceis, com resultados que podem tardar a aparecer. É preciso adequar esse sentido de urgência, que é totalmente justificável, a transformações estruturais capazes de semear a justiça social e a consequente redução perene da violência.
Nesse caminho, o enfrentamento, é claro, não deve ser abandonado, é preciso manter a autoridade, sempre dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Estado democrático de direito. Para isso, é imprescindível que exista uma polícia valorizada, bem equipada e, principalmente, bem preparada, com formação tática e humanista para compreender tantas nuances. Não é simples, mas é possível.
O que vemos hoje são os vazios historicamente deixados pelo poder público sendo preenchidos pela autoridade paralela do tráfico. É por essa razão que garantir mais qualidade de vida e oportunidades é a única chance de tirar da margem aqueles mais vulneráveis a engrossarem os exércitos do crime.
Qualquer candidato que ocupe o Palácio Anchieta a partir de janeiro deve ter uma compreensão límpida desse desafio. Investir em saúde, infraestrutura e, principalmente, educação é indiretamente aplicar recursos na segurança, pelo potencial transformador da dignidade humana.
O futuro governador deve ter um compromisso com um legado de paz. Para tanto, deve se empenhar na elaboração de políticas de Estado, sistêmicas, não de governo. Programas de prevenção da violência que não sejam genéricos e sobrevivam a mandatos e ideologias... foi justamente tal compromisso que nos últimos dez anos contribuiu para a redução considerável dos índices de homicídios. É preciso manter metas ousadas de redução de criminalidade, sempre conectadas com a realidade. Enquanto governos passam, avanços devem prosseguir.