Crítico da política cultural do Estado, o pintor Kleber Galvêas diz que não se sente valorizado: “O governo privatizou o autoritarismo na área cultural”.
Arte engajada ou arte pela arte?
Arte simplesmente. Arte pela arte não existe, pois ela só acontece se a obra for apreciada por alguém. Arte é o tipo de relação que se estabelece entre a obra criada pelo artista e o público.
Você faz arte para agradar ao público?
Faço pinturas e escrevo para me comunicar, provocar sentimentos. Se eu conseguir agradar ficarei feliz.
Cais das Artes ou caos das artes?
Contestei o projeto do Cais antes da pedra fundamental. O provincianismo do governo colocou o carro à frente dos bois. Todos os aspectos deste projeto são caóticos.
Há 22 anos você denuncia a poluição ambiental por meio da pintura com o projeto “A Vale, a Vaca e a Pena”. O alerta está dando resultado?
A preocupação começou em 1972, há 46 anos, quando fui orientado por Augusto Ruschi, Michel Bergman e Homero Massena. A água mole continuará a bater na pedra dura do nosso universo político. Afinal, as poluidoras nos fornecem diariamente, com fartura e de graça, a matéria-prima para a realização do trabalho.
Você se sente valorizado como artista plástico no ES?
Não. O governo privatizou o autoritarismo na área cultural e cedeu o usufruto a pessoas inescrupulosas. Não queremos paternalismo, mas que se observe na Constituição os 215 e 216 [“O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional”].