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Vitor Vogas

O partidarismo de Casagrande

Publicado em 01 de Junho de 2018 às 22:03

Públicado em 

01 jun 2018 às 22:03
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Renato Casagrande e Paulo Hartung Crédito: Amarildo
Uma diferença essencial entre o governador Paulo Hartung (MDB) e seu principal oponente, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), diz respeito à identificação partidária e à maneira como cada um se relaciona com as respectivas agremiações políticas.
Hartung faz política e governa sem se prender a amarras partidárias. Como não se cansa de repetir, acha que o atual sistema partidário brasileiro deu água, que as pessoas não se veem mais representadas pelos partidos e que estes, na atual conjuntura, significam muito pouco.
Enquanto isso, o governador vai ficando no MDB, como um passageiro forçado. Se pudesse – isto é, se a legislação eleitoral o permitisse –, seria seguramente um candidato avulso, sem filiação a nenhum partido no momento. Isso não quer dizer que Hartung governe sem partidos. Na verdade, muito pelo contrário: o que ele faz é buscar manter o controle, de fora, sobre o maior número de siglas – mas isto é objeto para outra análise.
E quanto a Renato Casagrande? Nesse ponto, é o avesso de Hartung. O que o governador tem de “tô nem aí”, o ex-governador tem de fidelidade partidária ao seu PSB (Partido Socialista Brasileiro). Filiado à legenda de Miguel Arraes desde o fim da década de 1980, Casagrande é muito identificado com ela. Desde que deixou o governo, em 2015, tornou-se secretário-geral do PSB no país e presidente da Fundação João Mangabeira (órgão de formação política do partido).
O problema: para muitos agentes do mercado político capixaba, Casagrande exagera na dose, sendo partidário “até demais”, o que por vezes o atrapalha, inclusive durante o seu governo. Como assim? No sentido de que acaba se fechando demais em um grupo restrito de conselheiros – sempre a mesma “turma do PSB-ES” –, que monopoliza os postos-chave em sua equipe de campanha e de governo. E não necessariamente são os melhores para aquelas posições. Nisso, por exemplo, Hartung sai na frente: sem se deixar limitar por critérios de lealdade partidária, vai atrás dos melhores onde eles estão, formando e liderando equipes multifacetadas – os “timões” como ele gosta de chamar, o que não deixa de ser verdade, à parte os exageros de retórica.
Esse excessivo “fechamento” de Casagrande era (e é) motivo frequente de queixas de partidos aliados, que se ressentem de uma participação maior na tomada de decisões estratégicas de campanha e da definição de políticas de governo. É o que admite um dos colaboradores mais próximos de Casagrande, o deputado federal Paulo Foletto (PSB).
“Isso acontecia até com a gente do partido. Nós não éramos chamados para a definição de políticas de governo. A atitude dele pode não ter contemplado aliados. Pode ser. Teve gente que não ficou satisfeita. Teve gente que manifestou não uma insatisfação com o governo dele, mas com uma falta de participação nas decisões. Não vou declinar nomes, mas é verdade”, reconhece Foletto.
O deputado assegura, porém: Casagrande aprendeu com os erros e mudou nesse sentido: “Eu aprendo com o tempo e com a vida. Atitudes que não deram certo no passado fazem a gente crescer e lá na frente mudar as atitudes. A abertura é um sinal claro no pensamento, no comportamento e na atitude do Renato. Ele está muito mais aberto agora. Tem conversado com todas as forças de centro-esquerda praticamente. Já falou com Coser, a pedido do PT. Tem falado intensamente com o PPS e com o Givaldo (PCdoB). Tem cenário de aproximação eleitoral com o PDT. Até com forças da direita, como o DEM. Ferração tem falado que vai ficar conosco. Vamos ver.”
E que papel terão todas essas forças em um eventual governo Casagrande? “Vão participar da formulação da política de governo. E quem tiver nome de qualidade, nome técnico, vai participar da equipe”, responde Foletto.
Veremos até que ponto e como se deu exatamente essa abertura.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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