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Gabriel Tebaldi

O mundo paralelo das universidades do país

Federais do país lecionarão a disciplina "O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil". O erário público financiará os delírios de militantes travestidos de doutores

Publicado em 02 de Março de 2018 às 20:04

Públicado em 

02 mar 2018 às 20:04

Colunista

Esqueça Spielberg, Tarantino, Christopher Nolan. Esqueçam Hollywood. Os maiores diretores do planeta são nossos professores federais; a maior produtora de ficção científica chama-se universidade pública brasileira.

Na Era PT, as universidades tornaram-se seu principal instrumento de “conscientização”. Com Lula, o dinheiro público jorrou: salários foram elevados, políticas afirmativas inovaram ano após ano, e a democratização do ensino encheu de dados as propagandas governistas, velha política da URSS. Ai de quem discordasse...

Enquanto isso, festas regadas a bebidas, drogas, sexo (com direito a estupros) e todo tipo de diversidade ocuparam as noites acadêmicas e os congressos estudantis. Encontros regionais transformaram os campi em renovados woodstocks. Com o avanço dos extremismos políticos, as universidades tornaram-se laboratórios do PT, do PSTU, do PSOL. Nossos bunkers soviéticos renomearam velhas e surradas ideias. Era proibido proibir.

O fim do governo Dilma potencializou a euforia militante. Agora, algo surreal está prestes a acontecer: federais de todo o país, incluindo a Ufes, lecionarão a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”. Isso mesmo: o erário público financiará os delírios de militantes travestidos de doutores. Eles, em seu intolerante e kafkiano mundo paralelo, farão um livre exercício intelectual, coincidentemente em um ano eleitoral em que seu grande líder ainda aspira se proteger no poder.

Na Ufes, o bunker (ou seria Gulag?) será formado por professores tradicionalmente envolvidos em todo o tipo de greve e que recebem, em média (segundo o Portal da Transparência), salários entre R$ 14 mil e R$ 17 mil. Não por acaso, cada estudante custa anualmente R$ 36 mil aos cofres públicos. Enquanto isso, cada criança do Fundamental custa R$ 11,7 mil por ano. Assim formamos analfabetos funcionais.

O MEC já apontou a ilegalidade do delírio intelectual do “Golpe de 2016”. Em resposta, os oprimidos professores afirmam sofrer “intimidação dos poderosos contra o livre pensamento”.

Ficam, pois, duas perguntas: tais universidades formam livres-pensadores capazes de apreender a realidade? E mais: com nossos intelectuais revolucionários-funcionários públicos, o Brasil pode dar certo?

*O autor é graduado em História e Filosofia, e pós-graduado em Sociologia

 

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