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Vitor Vogas

O labirinto do Centauro de Vila Velha

Max tem menos de duas semanas para sair do labirinto político em que ele mesmo se meteu

Publicado em 26 de Março de 2018 às 06:44

Públicado em 

26 mar 2018 às 06:44
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

O Labirinto de Creta, onde aprisionaram o Centauro, foi construído pelo arquiteto Dédalo. O do Centauro de Vila Velha, Max Filho, foi construído pelo próprio. Agora, Max tem menos de duas semanas para sair do labirinto político em que ele mesmo se meteu: sair do PSDB e encontrar uma sigla (qualquer uma!) que tope abrigá-lo e, com ele, seu projeto eleitoral de lançar-se ao governo estadual.
Poderá?
Via Brasília (Executiva nacional), Max tenta destrancar as portas do Podemos para si. Mas encontrou resistência onde menos esperava: no próprio quintal político. Antigo aliado e vice na chapa de Max à Prefeitura de Vila Velha em 2012, o deputado Hudson Leal se opôs.
Não tão leal...
Conhecido como grande montador de chapas proporcionais – ele mesmo se gaba disso –, Leal é o responsável pela montagem da chapa do Podemos na eleição a deputado estadual. Amigos, amigos, partidos à parte. Leal esqueceu a lealdade e tratou de travar a abertura da porta para Max. Alega que, ante a notícia da possível filiação do prefeito, vários pré-candidatos ameaçaram debandar, e ele teve que se desdobrar para conter o desmanche e retê-los na chapa em formação. Diz que até pode apoiar Max, desde que este se lance por outra sigla.
E pode mesmo?
A dúvida é: Leal decide mesmo pelo partido, como anda dizendo por aí? Ele é líder da bancada na Assembleia. Ou seja, de si mesmo. Não é dirigente partidário. Quem preside o Podemos no Estado é o prefeito de Viana, Gilson Daniel. E, no fundo, esse tipo de questão quem sempre decide mesmo é a direção nacional...
E na Rede, pode?
Chegou-se a especular nos últimos dias o possível ingresso de Max na Rede. Porém, a coluna apurou com fonte graúda do partido de Marina Silva que a chance de isso acontecer é abaixo de remota. Nem Max pediu nem a Rede o convidou.
Faz sentido
Afinal, a Rede já tem “dono” no Espírito Santo: o prefeito da Serra, Audifax Barcelos. Audifax migrou do PSB para a Rede justamente para poder ter um partido “para chamar de seu”, cujos rumos ele possa controlar no Estado, ajudando a si mesmo a crescer no cenário político local. Na Rede-ES, Audifax brilha solo. De certo modo, virou quase estrela nacional da Rede também, já que o partido de Marina cresceu muito menos do que se imaginava e elegeu pouquíssimos prefeitos em 2016. Por que Audifax iria abrir as portas agora para Max, logo para Max, que em curto prazo pode se tornar um concorrente interno de Audifax, principalmente levando-se em conta o histórico do prefeito de Vila Velha (e sua fama de disputar o poder e implodir partidos por onde passa)? Mau negócio para Audifax.
Pode no PP?
O que resta a Max, então, neste momento? Talvez o PV, onde ele chegou a iniciar conversas com César Lucas. Mas o presidente estadual, Fabrício Machado, não deu abertura. Talvez o PP, mas o diálogo com Marcus Vicente esfriou.
E agora, Centauro?
Pode ser levado a sério?
Se nada mais der certo, o consolo é o convite de Vasco Alves para que Max ingresse no Partido Pátria Livre (PPL). Apoiador de Max no 2º turno em 2016, Vasquinho ocupa cargo de assessor especial desde o início da administração de Max. E acaba de formalizar o convite ao prefeito. Com todo o respeito, seria fim de carreira para Max. Trata-se de um nanopartido que nem sequer possui representação na Câmara Federal, por isso vive à míngua de recursos, correndo ainda o seriíssimo risco de sumir do mapa político se não superar a cláusula de barreira que já vale na eleição deste ano.
Da bola para a Bíblia
Devanir Ferreira (PRB) confirma: Ronaldinho Gaúcho não é evangélico. Aliás, por seu estilo de vida, poucos pré-candidatos se chocam mais com os valores da “tradicional família brasileira”. Anotem aí, porém: o dentuço já está eleito senador, e pelo PRB! Com direito a muitos votos de fiéis da igreja que não estarão nem aí para esse “detalhe”. Se os dirigentes não se importaram...
Mudança de slogan
Comentário de uma raposa política: na eleição deste ano, Amaro Neto, agora no PRB, trocará o mote da campanha: sai o “coragem e coração” de 2016, entra o “broderagem e oração”.
Redondamente enganado
Na última quarta-feira, durante a cerimônia do governo estadual para entrega de uniformes para os participantes do Campeonato de Futebol Rural, reunindo mais de 60 municípios, o deputado José Esmeraldo (PMDB) se empolgou e trocou as bolas (mesmo). “O governador Paulo Hartung jogou basquete. Apesar de ter essa altura, ele era pivô. E não passava nada”, viajou. Hartung na verdade jogou handebol, modalidade cuja bola é bem menor que a de basquete.
Cena política
Uma fonte de dentro da Infraero contou ao colaborador da coluna uma situação inusitada: ao longo desta semana, as autoridades competentes terão que decidir como será o cerimonial do evento de inauguração do novo Aeroporto de Vitória, cuja paternidade e cujos frutos políticos têm sido disputados a tapa por políticos capixabas. Segundo essa fonte, a senadora Rose de Freitas quer um evento bem “povão” – com acesso liberado ao público. Mas a Presidência da República não quer nem saber da ideia, temendo vaias ao presidente Temer. Prefere uma cerimônia restrita aos convidados. Amigos, se a briga de Rose com o Palácio do Planalto está assim, imaginem como estará a briga entre ela e o Palácio Anchieta?

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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