Lamentável o que determinou a divulgação da nova data de votação da “cansada” reforma da Previdência, para apenas após o julgamento do ex-presidente Lula, que deve ser realizado nesta quarta-feira, 24. Até a votação da reforma realmente acontecer, o relator desse projeto, o deputado Arthur Oliveira Maia, continua em alerta e em busca de negociações. Ou seja, o imbróglio da Previdência persiste.
A grande verdade é que a reforma da Previdência é um projeto essencial para o futuro do país. Nos últimos 20 anos, foram feitos ajustes paliativos para conter o aumento no déficit das contas previdenciárias. Os governo FHC, Lula e Dilma, mesmo tendo a liderança no Congresso e apoio popular, não tiveram a coragem de enfrentar o problema e empurraram vários problemas sérios com a barriga, como fizeram por anos com a dita reforma.
Vejam que a idade média do aposentado no Brasil é de 88 anos enquanto a maioria dos países estabelece uma idade mínima de 60 anos.
Se a reforma for adiada e deixada para trás, o próximo governo fará um ajuste ainda mais severo face o aumento contínuo da população idosa. Hoje, existe uma pessoa acima de 65 anos para 12 brasileiros em idade ativa. Daqui a 40 anos, haverá um idoso para cada quatro pessoas em atividade. É a lógica implacável da demografia, o que pode legar em um ônus enorme as gerações futura. O envelhecimento antecipa impactos na Previdência.
Segundo o especialista Paulo Tafner, a sua aprovação seria uma vitória para o país, pois as contas do Brasil não podem cair no descontrole absoluto. As entidades representativas do setor produtivo capixaba “estão unidas para expressar apoio à reforma, para que o Brasil possa voltar a crescer de forma sustentável”.
Temos que dar um fim ao imbróglio que se tornou este importante tema e que fique bem claro também que se respeite os direitos adquiridos de nossa população.
*O autor é ex-reitor da Ufes