
Lúcio Dalla Bernardina*
Em meio a uma recessão inédita que se abateu sobre o país, absolutamente endógena, ou seja, produzida estritamente pelos erros de avaliação e implementação de política econômica de nossos gestores, descolada da conjuntura internacional, o setor metalmecânico capixaba dá mostras de resiliência, numa saudável capacidade de adaptação, o atributo que mais prepondera na sobrevivência dos seres vivos e das organizações.
Desde o fornecimento de serviços mais elementares ao complexo minero-siderúrgico das plantas industriais que alavancaram a economia capixaba nos anos 1970, a metalmecânica do Espírito Santo vem incorporando conhecimento e tecnologia. Com isso, capacitou-se às progressivas exigências de aprimoramento dos clientes industriais e, a partir dessa expertise, habilitou-se à escala nacional, passando a atender demandas de toda a parte do Brasil. A escala capixaba ficou modesta, contrastando com a exuberância de um conhecimento técnico que permite ao empreendedor capixaba buscar o mercado brasileiro em condições de igualdade competitiva.
Trata-se de uma vitrine do que a indústria oferece em atualização tecnológica de produtos e serviços, além de um oportuno meeting de protagonistas econômicos, reunindo potenciais compradores e fabricantes
A privilegiada geolocalização do parque metalmecânico, próxima dos grandes polos industriais do Brasil, representa uma vantagem, mas não tão evidente quanto a representada pela evolução do seu capital humano expresso em empreendedores atento à dinâmica de uma economia catalisada pela inovação produzida por uma tecnologia de informação que não tem antecedentes na história da indústria ou da humanidade.
A inovação impôs-se como a cultura essencial incentivando a busca de metodologia, processos e funcionalidades que maximizem o retorno dos recursos – quaisquer que sejam – alocados à produção. Quer seja bens físicos e tangíveis, competências intelectuais ou habilidade humanas. A inovação tornou-se o mote dos diferenciais de competitividade e, nesse aspecto, o setor metalmecânico do Espírito Santo oferece parâmetros que servem de referência, o que se atesta pelo crescente índice de participação dos conteúdos locais nas grandes estruturas industriais do Espírito Santo.
Nesse cenário de resistência a uma conjuntura adversa sustentada pelo vigor e capacidade operativa de seus agentes, o setor da metalmecânica prepara-se para o upgrade, como já pode ser conferido na 11ª MEC Show, que termina hoje. Trata-se de uma vitrine do que a indústria oferece em atualização tecnológica de produtos e serviços, além de um oportuno meeting de protagonistas econômicos, reunindo potenciais compradores e fabricantes, jogando luz sobre o futuro da indústria 4.0.
*O autor é presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado (Sindifer-ES)