
Aladim Cerqueira*
A 24ª Conferência do Clima, na Polônia, o mais importante evento de cooperação internacional para definição das ações dos países no combate ao aquecimento global, foi marcada pelo mais recente relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que aponta que a evolução da temperatura global tem sido maior do que a estimada, exigindo elevado esforço das nações. O objetivo da conferência foi de avançar no Acordo de Paris, que começará a valer em 2020. Nos compromissos assumidos pelo governo brasileiro, além da diminuição do desmatamento da Amazônia, há o desafio de recuperar 12 milhões de hectares de florestas.
O Espírito Santo apresentou para o mundo o Reflorestar, e os seus métodos e resultados alcançados nos diferenciam positivamente nessa ação. O Estado se comprometeu, em 2015, a recuperar 80 mil hectares de florestas, e está cumprindo o desafio.
Presente em 74 dos 78 municípios do Estado, o Reflorestar alcançou 2.856 produtores rurais capixabas. Do início da execução do programa até 2018, são mais de 7 mil hectares de recuperação iniciadas e mais de 12 mil ha de florestas preservadas com Pagamentos de Serviços Ambientais. Foram quase R$ 60 milhões de investimentos do governo do Estado, junto com o Banco Mundial e parceiros do terceiro setor, gerando oportunidades de renda para os produtores rurais.
Monitorando a Mata Atlântica, de forma inovadora, o governo lançou o Atlas da Mata Atlântica e mapeou um crescimento de mais de 27 mil hectares de florestas e mais 270 mil hectares em estágio inicial de regeneração.
A mensagem clara deixada pelo nosso programa é que o Brasil, com o elevado potencial de recuperação de carbono na Mata Atlântica, avançará muito se ampliar seu foco de proteção além dos Biomas Amazônia e Cerrado. Temos sido ouvidos pelo Ministério do Meio Ambiente, na possibilidade de descentralizar recursos do Fundo Amazônia para esse fim, permitindo maior ação pelos Estados da federação. Precisamos avançar, lançando as bases técnicas de calcular o balanço de carbono na Mata Atlântica. Mas, efetivamente, já pudemos demonstrar que o melhor exemplo de política de recuperação de florestas está ocorrendo nas nossas terras.
*O autor é secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e presidente da Associação brasileira de entidades estaduais de meio ambiente (Abema)