Entre os 18 integrantes da equipe de Casagrande já anunciados, Damasceno é um dos poucos nomes que se repetem na mesma função exercida na gestão anterior, ao lado da jornalista Flávia Mignoni, que volta a comandar a Comunicação
Como diria Betinho, quem tem fome tem pressa. Mas a diarista está lá, com a barriga roncando, de pé no corredor da linha 507 do Transcol, após um dia inteiro de trabalho, querendo chegar para ver a novela e dar comida para os filhos. Mas nada de a Terceira Ponte andar!
Pressa também é o que Casagrande diz ter para destravar a agenda amarelada da mobilidade urbana na Região Metropolitana. O que ele propõe, aliás, é rapidez no governo todo. No último sábado, discursando no Encontro de Lideranças promovido pela Rede Gazeta, o governador eleito comprometeu-se a dar maior velocidade à administração pública estadual. “Teremos muita responsabilidade com o Estado, fazendo com que ele possa ser mais eficiente, mais rápido, para que possamos atender às demandas dos cidadãos de forma mais rápida, acabar com órgãos que sejam ineficientes e que tenham sobreposição de atividades. Então, nos próximos quatro anos, teremos que tornar este Estado cada vez mais eficiente. Este é o caminho: mais eficiente e mais veloz.”
Foi justamente por isso, pelo aparente descolamento entre discurso e escolha, que causou surpresa o nome escalado pelo governador eleito para voltar a chefiar a Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop): o de Fábio Damasceno (PSB), que já comandou a mesma pasta ao longo de todo o último governo de Casagrande (2011-2014), na época filiado ao PMDB e ligado a Lelo Coimbra.
Entre os 18 integrantes da equipe de Casagrande já anunciados, Damasceno é um dos poucos nomes que se repetem na mesma função exercida na gestão anterior, ao lado da jornalista Flávia Mignoni, que volta a comandar a Comunicação, e de Valésia Perozini (PSB), eterna chefe de gabinete de Casagrande. Mignoni e Perozini eram mais que esperadas. Damasceno foi uma baita surpresa.
Não se trata de colocar em xeque a capacidade técnica do ex e futuro secretário. Mas o dado concreto é que essa “rapidez” agora preconizada por Casagrande não foi exatamente a marca da gestão anterior na Setop. Foi uma gestão marcada por muitos anúncios de projetos viários grandiosos (Quarta Ponte, BRT, aquaviário), os quais, no entanto, acabaram não saindo do papel. Por que então repetir o secretário logo dessa área?
Com a palavra, Casagrande: “A regra maior é de a gente sempre oxigenar, fazer rodízio, trazer pessoas novas. Um ou outro espaço, como no caso de Transportes, pela competência e pela necessidade de termos pressa, nós estamos repetindo. O Fábio tem um conhecimento técnico muito grande na área. Trabalhou aqui e em Brasília. Tem capacidade de estabelecer as políticas de forma muito rápida. Então estamos anunciando o Fábio pela necessidade e pela importância da velocidade que a gente quer dar na execução de algumas políticas. Ele é novo, mas tem experiência”, destaca o socialista, ressaltando, ainda, que um “plano de mobilidade não se executa em quatro anos, mas ao longo de alguns governos”.
Agilidade é mesmo o que se espera, especialmente na área de mobilidade. Agora filiado ao partido de Casagrande, Damasceno está recebendo uma rara 2ª chance – como Telê Santana, após a frustração da Copa de 1982. Tem que aproveitá-la melhor do que Telê em 1986.
Conclusão
Desta vez, Fábio Damasceno e Casagrande terão que pisar no acelerador para concretizar os projetos mantidos pelo governador eleito (início da implantação do BRT e reativação do aquaviário, no alto da lista), além de outros encampados por ele, como a quinta faixa na Terceira Ponte (a Quarta Ponte está descartada).
Tá sobrando pé aí
A questão é como meter um pé no acelerador nos investimentos em mobilidade ao mesmo tempo em que o outro pé está no freio e os dois estão bem fincados no chão, como tem repetido o próprio Casagrande sempre que fala sobre o orçamento estadual em 2019. Impõe-se aí outro possível paradoxo; um nó mais difícil de se destravar do que aquele da Praça do Pedágio.
Piraí
Falando em pé, o futuro secretário de Segurança Pública do ES, Roberto Sá, foi chefe da mesma secretaria no Rio de Janeiro durante o governo de Pezão, do fim de 2016 a fevereiro deste ano. Mas o detalhe que de fato os “aproxima” não é político e sim geográfico. Pezão é natural da cidade de Piraí, no sul do Rio.
Pera aí
Sá nasceu em Barra do Piraí, cidade vizinha, mas faz questão de demarcar a diferença. “Não é Piraí. É Barra do Piraí. Outra cidade.” As duas são separadas pelo rio de mesmo nome.
Alarga esse rio aí
A ênfase de Sá pode ter um quê de bairrismo, mas o fato é que ninguém anda querendo ser associado a Pezão ultimamente de nenhuma maneira, nem por causa do local de nascimento.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.