O processo de construção do progresso econômico é lento e demanda atenção para restrições e possibilidades. Restrições e possibilidades tanto internas quanto as que emergem da situação internacional.
No século XX, restrições externas à industrialização no Brasil motivaram ações políticas internas nos governos Vargas, que resultaram, por um lado, na criação de empresas públicas voltadas para a exploração de recursos naturais – como a Vale e a Petrobras. Por outro, no estabelecimento de uma estrutura de financiamento de longo prazo voltada para a infraestrutura e para o fortalecimento do empresariado nacional, tendo o BNDES à frente.
Desmonte acelerado de conquistas sociais, econômicas e tecnológicas que Executivo e Parlamento ilegítimos fazem para privilegiar interesses de poucos que muito ganham com a especulação financeira
O passo seguinte foi dado por JK, que buscou atrair empresas estrangeiras para, junto àquelas de capital nacional, ampliar a base industrial do país. No governo Geisel, a ampliação voltou-se tanto para a substituição de importações quanto para a diversificação das exportações.
Substituição e ampliação que sofreram críticas e restrições de organismos multilaterais – como o Banco Mundial e o FMI. Críticas e restrições que foram respondidas com ações estratégicas na produção de bens intermediários – como produtos siderúrgicos e celulose; bem como no estabelecimento de bases para o desenvolvimento tecnológico na agricultura, na exploração de petróleo e na produção da aviões, entre outras áreas.
No século XXI, foi estabelecida uma estratégia de crescimento baseada na ampliação da demanda interna – via programas de inclusão social - e de inserção diferenciada do Brasil na geopolítica mundial. Inserção diferenciada que contou com o BNDES e com capacitações internas voltadas para inovações de ponta. Entre as capacitações internas baseadas em inovações tecnológicas, tem merecido destaque internacional Embrapa, Fiocruz, Cenpe/Petrobras e Embraer.
As políticas estabelecidas a partir de 2016 têm sido de desmonte acelerado de conquistas feitas ao longo de décadas. Conquistas sociais – como o congelamento por 20 anos da ampliação de serviços de saúde, educação e assistência social. Conquistas tecnológicas – como a entrega a empresas estrangeiras de muito que foi feito com recursos financeiros brasileiros e talento de pessoas em áreas como a exploração de gás e petróleo no pré-sal e como a aviação comercial.
Desmonte acelerado de conquistas sociais, econômicas e tecnológicas que Executivo e Parlamento ilegítimos fazem para privilegiar interesses de poucos que muito ganham com a especulação financeira.
*O autor é professor de Economia