
Gutman Uchôa de Mendonça*
Governador do Estado com três mandatos (cumprindo o último), Paulo Hartung, incluído merecidamente entre os melhores governadores que o Estado teve nos últimos tempos, tentou explicar em entrevista para A GAZETA porque está deixando de concorrer à reeleição. Ele deu como um dos motivos um possível surto de populismo, com a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República. Hartung ressaltou: “O ambiente no país está ruim, a população está irritada com tudo o que viu, e com muita razão. Mas isso cria as bases para um surto populista”.
Não vamos desmerecer a opinião do governador Paulo Hartung, mas parece-nos que ele não está temeroso com a eleição de Bolsonaro, como nunca esteve com a eleição de Sarney, Fernando Henrique, Lula, Dilma e a sucessão de Temer. Com isso, faz de Bolsonaro um “bode expiatório” para não concorrer à reeleição.
A bem da verdade, dificilmente quem está no poder se reelegerá. Devem ocorrer reeleições e até eleição de continuidade, mas será um negócio difícil. Mesmo que seja para pior, a maioria vai preferir experimentar sangue novo.
A bem da verdade, dificilmente quem está no poder se reelegerá. Devem ocorrer reeleições e até eleição de continuidade, mas será um negócio difícil
É inadmissível que repitamos reeleições como a de Lula e Dilma. É um ultraje à dignidade nacional. Essa gente pilha os cofres públicos, dão um atestado de populismo indecente e imoral.
O governador Paulo Hartung, com relação ao Brasil, teve um diálogo triste com a reportagem de A GAZETA: “O país tem que acertar suas contas. Esse desajuste nas contas vai virar hiperinflação. O país está gastando RS 150 bilhões a mais do que arrecada. E o mundo está se afastando do Brasil. E o mundo está começando a achar que a gente não vai reencontrar o caminho.”
Sempre faltou inteligência aos nossos governantes, que imaginam os recursos públicos como inesgotáveis. Nunca se roubou tanto no mundo. Sob o grito de ordem “o petróleo é nosso”, aventureiros da pior qualidade, refinados ladrões, pilharam a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, tudo que encontraram pela frente.
Vejam que só o Estado do Espírito Santo tem 60% de servidores públicos fora do trabalho: uma simples Secretaria de Turismo tem 71 servidores. Não tem país que suporte tal sangria.
*O autor é jornalista