
Luiz Carlos Menezes*
A inauguração do novo Aeroporto de Vitória significa um auspicioso passo em favor do desenvolvimento do nosso turismo. Este expressivo avanço, no entanto, não terá o condão de alavancar o turismo em terras capixabas. O Espírito Santo, olhado como destino turístico, mesmo contando com uma estratégica posição geográfica, ótimas praias, belas montanhas e uma bonita capital, ficou para trás. Fomos amplamente superados pelos Estados do Nordeste. Não precisa ser especialista em turismo para perceber que a chamada “indústria sem chaminé” ainda não decolou no nosso Estado.
Ao longo da nossa atuação nesse setor, pude constatar a tibieza da atividade turística no Espírito Santo. O nosso Estado foi ofuscado pelos dois mais afamados portões turísticos do país - Rio de Janeiro e Bahia - ficando à margem do grande fluxo do turismo doméstico. A pífia ocupação dos hotéis da Capital nos fins de semana comprova isso.
O Espírito Santo, no entanto, é ainda um dos poucos Estados que não conta com um centro de convenções, imprescindível para a realização de grandes eventos
Em palestra recente, o governador Paulo Hartung ressaltou a obscuridade do nosso Estado no cenário nacional. Não exagerou. A nossa bonita capital - vale lembrar - é até mesmo confundida com Vitória da Conquista, na Bahia. Esta pouca visibilidade, por obvio, significa uma perda para o nosso turismo.
Outras dificuldades? Certamente. No entanto, diante da grande importância do turismo - atividade econômica multiplicadora de empregos e renda - não podemos esmorecer. Pelo contrário, temos que redobrar o empenho em favor do nosso turismo. As poucas desvantagens não podem sobrepor-se às inúmeras vantagens que temos a oferecer: “mais perto, mais barato, muitas belezas naturais, ótimo aeroporto (agora) etc.”
O Espírito Santo, no entanto, é ainda um dos poucos Estados que não conta com um centro de convenções, imprescindível para a realização de grandes eventos. Precisamos também de mais celeridade na duplicação da BR 101 e BR 262, rodovias indispensáveis ao nosso turismo; da redução dos entraves burocráticos nos órgãos ambientais, um óbice à construção de resorts (não temos nenhum) e de um maior profissionalismo neste setor.
O novo e moderno aeroporto foi um grande avanço. No entanto, para que o nosso Estado possa colher resultados econômicos neste importante setor, faz-se necessária uma firme vontade política nesse sentido. Governo do Estado, bancada capixaba e entidades ligadas ao turismo - a exemplo dos Estados do Nordeste - deveriam comprar este desafio. Só assim veremos o ES no mapa turístico nacional.
*O autor é engenheiro civil, empresário, conselheiro da Ademi-ES e do PDU de Vitória