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VITOR VOGAS

Novatos, PSL e Erick Musso na dança pela Mesa Diretora

Os quatro deputados do PSL devem votar em bloco, o presidente atual quer se manter no cargo e recém-chegados, garantir espaços nobres

Publicado em 06 de Dezembro de 2018 às 07:54

Públicado em 

06 dez 2018 às 07:54
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Plenário da Assembleia Legislativa Crédito: Tati Beling/Ales
Letícia Gonçalves - interina
A eleição para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa será apenas em fevereiro e nem vamos apelar aqui à já célebre frase “política é como nuvem” para dizer que até lá muita coisa pode mudar. Mas não quer dizer que tudo esteja parado. Os deputados “novatos” – a maioria nunca teve mandato no Legislativo estadual – reuniram-se pela terceira vez nesta quarta-feira (05) e viram aumentar as próprias fileiras. Dos 15 deputados eleitos, o grupo começou formado por oito e agora chega a 12. Querem garantir um lugar à sombra, na Mesa e nas comissões temáticas da Casa. Não devem, no entanto, propor um nome para o comando do Legislativo agora, apenas em janeiro. Por enquanto, o nome de Renzo Vasconcelos, do PP, é ventilado, mas ele não se coloca publicamente como interessado na disputa. 
Na outra ponta, aliados do atual presidente, Erick Musso, e o próprio, mais discretamente, movimentam-se para a sua recondução. Erick é mais do que ligado ao governador Paulo Hartung, mas tem mantido boa relação com o futuro chefe do Executivo, Renato Casagrande. Apesar de Poderes – teoricamente – independentes, a participação do socialista na escolha dos deputados é aguardada a partir de janeiro.
Há quem veja dedo de outro articulador na história. “O Manato (que disputou o Palácio Anchieta contra Casagrande) orientou a bancada do PSL a votar no Erick. Acho até ruim para o Erick porque fica parecendo uma candidatura de oposição”, diz um dos novatos. O próprio Manato, presidente estadual do PSL, diz que o combinado é que os quatro parlamentares do partido que vão assumir em fevereiro votem em bloco para a Mesa Diretora, para demonstrar unidade. E lembrou que Erick é do PRB, partido que esteve coligado ao PSL nas últimas eleições.
Partidários de Erick Musso dizem que o atual presidente “aceita compor”, ou seja, abrir espaço na Mesa para outros grupos políticos. “Se o Erick conseguir ser o presidente com forças ligadas ao PSL e ao Renato, ele faz um equilíbrio de forças na Casa”, diz um correligionário do presidente. Assim, Enivaldo dos Anjos, atual segundo secretário e que foi o primeiro secretário durante a gestão anterior à de Erick, comandada por Theodorico Ferraço, diz que não pretende mais participar da administração da Casa. “Não quero repetir. Mas outro lugar, quarto secretário, por exemplo, se for preciso. Ou prefiro ficar no plenário. Quero seguir o caminho do (Sergio) Majeski, que arranjou muitos votos usando apenas a tribuna da Casa”, diz Enivaldo.
DNA
O DNA hartunguista de Erick, no entanto, pode pesar. Hoje, ainda sem a caneta de chefe do Executivo na mão, Casagrande evita tratar do assunto Mesa Diretora. Precisa, inclusive, dos préstimos de Erick Musso para contornar votações na Assembleia de projetos enviados pelo atual governo. 
E por falar em Theodorico, ele afirma votar em quem o governador (Casagrande) apontar. E se for ele mesmo o apontado? Enquanto isso, Bruno Lamas, do partido de Casagrande, já se lançou à presidência da Assembleia. Ele avalia que não haveria problemas com a redundância do PSB no comando do Executivo e do Legislativo, uma vez que essa mesma situação já se deu num passado recente. No mandato anterior de Casagrande, Rodrigo Chamoun, então filiado ao PSB, presidiu a Casa.
 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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