Um curto-circuito na coligação da senadora Rose de Freitas (Podemos) pode produzir mais uma reviravolta de última hora na definição das alianças: o Partido Social Democrático (PSD), que já havia definido e anunciado apoio a Rose, conversa, neste momento, com dirigentes do PSB, partido de Renato Casagrande.
O presidente estadual do PSD, Neucimar Fraga, é o representante do PSD nessa última rodada de negociação com a frente adversária. Ele acaba de confirmar à coluna que reabriu as conversas, na tarde desta segunda-feira (5), com o pessoal de Casagrande.
Insatisfeito com o Podemos e com a chapa oferecida na eleição de deputados estaduais, o dirigente do PSD trabalha para acomodar o partido na coligação liderada por Casagrande. Se isso se confirmar, teremos três conclusões:
1. Após perder o PRB para o PSL (de Carlos Manato) no último sábado (4), o palanque de Rose pode ficar desfalcado por mais um importante partido oriundo da base do governador Paulo Hartung (MDB) e que já lhe havia assegurado apoio publicamente;
2. Após a "traição" protagonizada pelo PRB no sábado, o PSD seria outro partido a demonstrar infidelidade.
3. Em contrapartida, o palanque de Renato Casagrande seria reforçado por mais um partido da base de Hartung e altamente identificado com o atual governo, após já ter garantido a adesão de PSDB, DEM e PDT. Figuras importantes do PSD fizeram parte da equipe da atual gestão de Hartung. O próprio Neucimar foi subsecretário estadual de Desenvolvimento. Já José Carlos da Fonseca Júnior foi secretário-chefe da Casa Civil.
O curto-circuito: PSD x Podemos
A princípio, PSD e Podemos fazem parte da coligação de oito partidos reunidos em torno de Rose de Freitas. Na noite do último sábado (4), após longas discussões, esses partidos aliados conseguiram equacionar a composição das "pernas proporcionais" (subcoligações) na eleição de deputados federais. Para fechar a equação, Fonseca Júnior se dispôs a também lançar candidatura à Câmara, entrando na perna que coube ao PSD.
O problema todo começou no domingo (5), quando as siglas passaram a discutir, sem o menor sucesso, a composição das pernas na eleição de deputados estaduais. Os pivôs do desentendimento foram o PSD e o Podemos, presidido no Estado pelo prefeito de Viana, Gilson Daniel.
Neucimar insistiu em formar uma perna do PSD com o Podemos. Gilson Daniel não topou de jeito nenhum, pois entende que assim o Podemos vai ajudar o PSD a eleger dois deputados estaduais, sem eleger nenhum do próprio partido.
Ante a falta de consenso, o clima esquentou, e há relatos vindos do QG de Rose de que os partidos passaram o domingo inteiro brigando.
Principal aposta do PSD na eleição para a Assembleia Legislativa, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos externa o descontentamento com o partido de Rose e com a própria senadora. "Já me aborreci com o Podemos. Fizemos tudo para ajudar Rose e logo o partido dela quer sacanear o PSD. Ela está sem comando nas conversações." Segundo o deputado, a candidata ao governo perdeu o apoio de vários partidos por falta de uma postura mais assertiva.