No Espírito Santo, Bolsonaro venceu o 2º turno com folga: 63% a 37% contra Fernando Haddad. O candidato do PSL teve quase dois votos para cada voto dado ao do PT. Aliás, se dependesse apenas dos eleitores capixabas, o capitão reformado já teria sido eleito no primeiro turno, com 54,76% dos votos válidos registrados no dia 7 de outubro, contra 24,20% do candidato do PT, o segundo mais votado pelos capixabas.
No último domingo, Bolsonaro ganhou em 64 dos 78 municípios capixabas. Todas as 14 cidades onde Haddad obteve mais votos têm população de baixa renda e se situam acima do Rio Doce, no Norte do Espírito Santo.
O PT foi derrotado em todos os municípios da Grande Vitória. Em bairros mais ricos, a disparidade entre a votação de Bolsonaro e a do candidato petista foi ainda mais visível. Em Vila Velha, por exemplo, considerando o “bolsão” de bairros formado por Itaparica, Itapoã, Praia da Costa, Centro e Prainha, Bolsonaro teve três votos para cada voto conferido a Haddad. Situação parecida com a observada em Vitória, levando-se em conta os bairros Praia do Canto, Santa Lúcia e Jardim da Penha. Também ali, Bolsonaro alcançou praticamente o triplo dos votos de Haddad.
Diferentemente do que alguns apostavam, o Espírito Santo não deu a Bolsonaro uma das vitórias mais esmagadoras. Dos 16 Estados onde o deputado ganhou, o Espírito Santo foi o 13º onde ele obteve o maior percentual de votos válidos, com 63%. Ainda assim, é um resultado bastante expressivo, o qual aprofunda uma tendência que já vinha se manifestando nas últimas eleições presidenciais: o enfraquecimento do PT no Espírito Santo e a consolidação do fenômeno do antipetismo em nosso Estado, ou melhor, o estabelecimento do Espírito Santo como um colégio eleitoral marcadamente antipetista.
Em 2010, Dilma Rousseff derrotou José Serra (PSDB) no 2º turno, tendo sido mais votada em 15 Estados. O Espírito Santo não foi um deles. Em solo capixaba, o tucano derrotou a candidata do PT, com 50,83% dos votos válidos. Refletindo esse equilíbrio, cada um levou a melhor em 39 dos 78 municípios. Dilma perdeu em Vila Velha e em Vitória.
Naquele ano, já no primeiro turno, os eleitores capixabas haviam imposto alguns reveses à candidata petista em colégios importantes. Em Vitória, Dilma ficou apenas em 3º lugar, ficando atrás de Marina Silva (a mais votada na Capital) e José Serra. Já em Vila Velha, a pupila de Lula foi a segunda mais votada, obtendo menos sufrágios que Marina, então no PV.
Em 2014, a história se repetiu. No primeiro turno, Dilma chegou atrás de Aécio, em votação apertada: 35,12% para o tucano, ante 33,12% da petista. Marina chegou perto, com 28,76%. Dilma ganhou em metade dos municípios capixabas, mas, novamente, perdeu em colégios importantes. Aécio ficou na frente em 34 cidades e Marina levou a melhor em cinco delas, inclusive nos dois maiores colégios capixabas: Vila Velha e Serra.
No segundo turno daquele pleito, mais uma vez, o candidato do PSDB sobressaiu sobre a petista entre os eleitores capixabas: 53,85% para Aécio contra 46,15% de Dilma. Em números absolutos, Dilma obteve 911.906 votos dos capixabas no 2º turno em 2014. Agora, no 2º turno, Haddad obteve 747.768 votos, um decréscimo de 164.138 votos para o PT no Estado.
Esse conjunto de dados não mente: uma crescente rejeição ao PT vem sendo percebida no ES nas últimas eleições presidenciais. E não só nas presidenciais.
Vitrines municipais
Entre 2004 e 2012 – período inscrito na era em que o PT governou o país –, o partido elegeu prefeitos em grandes vitrines políticas no Espírito Santo: João Coser em Vitória, em 2004 e 2008; Helder Salomão em Cariacica, nos mesmos anos: Carlos Casteglione e Leonardo Deptulski, respectivamente em Cachoeiro e Colatina, ambos em 2008 e 2012.
Finais decadentes
No entanto, de acordo com pesquisas feitas pelo Instituto Futura para A GAZETA na série “Avaliação da Gestão”, três deles terminaram suas administrações muito mal avaliados. Em 2012, só 18,3% dos moradores da Capital avaliavam Coser positivamente, contra 35% que o consideravam ruim ou péssimo.
Cachoeiro e Colatina
Em 2016, último ano das administrações de Casteglione e Deptulski, os resultados colhidos por ambos foram ainda piores. O então prefeito de Cachoeiro foi considerado bom ou ótimo por apenas 7,3% dos moradores, ante 67,8% de ruim ou péssimo. Já o então prefeito de Colatina foi considerado bom ou ótimo por apenas 10,7%, contra 59,9% de ruim ou péssimo.
Na Grande Vitória
No mesmo ano, Givaldo Vieira (hoje no PCdoB) teve 4% dos votos na eleição a prefeito da Serra. Na Capital, Perly Cipriano (PT) levou só 3,5% dos votos.
Deputados
Em 2014, o PT no Espírito Santo elegeu três deputados estaduais e dois federais (Givaldo e Helder). Neste ano, elegeu uma deputada estadual (Iriny Lopes) e um federal (Helder). Na eleição ao governo, Roberto Carlos teve 6% em 2014. Agora, Jackeline Rocha ficou com 7%.