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Infraestrutura

Único caminho para o Aeroporto de Vitória é a concessão privada

É indispensável que este tema seja prioridade na agenda de desenvolvimento capixaba e conte com a mobilização das forças políticas e institucionais

Publicado em 26 de Abril de 2018 às 18:22

Públicado em 

26 abr 2018 às 18:22

Colunista

Fachada do novo Aeroporto de Vitória

Guilherme Dias*

O título deste artigo expressa um paradoxo. Como pode algo ser velho e novo ao mesmo tempo? Isto acontece, e não apenas na gramática. Algo pode ter a forma nova, mas a essência é velha, ultrapassada. Na informática, equivaleria a ter um hardware moderno, funcionando com um software antigo. O que há de novo? O Aeroporto de Vitória passou a contar com uma segunda pista de pouso e decolagem, 300 metros maior que a primeira. E também com um novo terminal de passageiros, moderno e dotado de capacidade três vezes maior do que o antigo. O que há de velho? O aeroporto continua sob a gestão da Infraero, enquanto os principais aeroportos do país já contam com a administração do setor privado sob concessão.

Há bons motivos para comemorar a nova infraestrutura do aeroporto! Primeiro, um final feliz para uma história de 16 anos de problemas e dificuldades de ordem orçamentária, administrativa e legal para a execução das obras. Segundo, as oportunidades de desenvolvimento de negócios e turismo que surgem em decorrência da melhoria nas instalações aeroportuárias.

Será que tal infraestrutura renovada coloca o aeroporto em bases competitivas com outros do país?

Será que tal infraestrutura renovada coloca o aeroporto em bases competitivas com outros do país? A resposta sincera é um sonoro não. O mesmo modelo de gestão que demandou 16 anos para a nova pista e o novo terminal de passageiros permanece. E continuará a ser um obstáculo a novos investimentos, como um novo terminal de cargas e a contínua modernização das instalações. Melhor exemplo das dificuldades deste modelo é o fato pitoresco de que em dias de condições climáticas ruins as operações serão na pista antiga, pois apenas lá há equipamentos adequados para tal situação.

O único caminho para tornar competitivo o Aeroporto de Vitória é a concessão ao setor privado, fato já pleno para os principais aeroportos do país. E que inclusive já atraiu alguns dos maiores operadores internacionais de aeroportos. A lista dos aeroportos sob concessão privada é expressiva: Guarulhos e Viracopos em São Paulo, Galeão no Rio de Janeiro, Brasília, Confins em Belo Horizonte, Natal, Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza. São nossos concorrentes diretos em movimentação de cargas e também polos turísticos e de negócios.

O governo federal incluiu o Aeroporto de Vitória no Programa Nacional de Desestatização. Foi o primeiro passo para o processo de concessão ao setor privado. Mas é indispensável que este tema seja prioridade na agenda de desenvolvimento capixaba. E conte com a mobilização das forças políticas e institucionais que apoiaram as obras de ampliação e modernização. Caso contrário, continuaremos patinando no paradoxo de um velho aeroporto novo.

*O autor é economista e ex-ministro do Planejamento

 

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