Não há plano B que substitua a reforma da Previdência. Nem a lista de 15 medidas (requentadas), nem a inflação mais baixa desde o Real, nem a menor Selic da história atenuam o impacto negativo nos cofres públicos provocado pelo adiamento de mudanças previdenciárias. Por isso, a agência de classificação Fitch rebaixou a nota do Brasil, na última sexta-feira. Em 11 de janeiro, a agência Standard&Poor’s havia feito o mesmo, antevendo o fracasso do projeto reformista. O país perdeu a confiança dos investidores.
A questão não é o curto prazo, com a inflação abaixo do piso da meta e o juro básico murcho. Os dois rebaixamentos neste ano mostram preocupação com a “trajetória de médio prazo das finanças públicas”, como acentua a Fitch, em função de déficits gigantescos desde 2015. Em outras palavras, o grande receio dos investidores é ver a dívida pública escapar do controle. Isso pode ocorrer se o governo não cortar gastos fortemente.
Em janeiro, a Secretaria do Tesouro Nacional informou que só em 2017 a dívida federal subiu quase 15%, atingindo recorde: R$ 3,55 trilhões. Mais do que dobrou em dez anos. Já equivale a 74% do PIB e deve chegar a 80% em 2019, segundo projeções da Fitch. Já a Instituição Fiscal Independente, órgão especializado em contas governamentais, calcula que o percentual atingirá os 100% do PIB no início da próxima década. Seria explosivo para o Brasil, ao contrário de outros países, como Japão e EUA, que convivem sem sufoco com endividamento mais alto, mas pagando juros baixíssimos.
A reforma da Previdência poderia reduzir o ímpeto da dívida. Mesmo desidratada, evitaria desembolso de quase R$ 500 bilhões em dez anos. Agora, resta aumentar o contingenciamento de recursos federais, e os eleitores escolherem um governo capaz de vencer o populismo irresponsável e mudar o sistema previdenciário.