A reforma trabalhista fez justiça ao dar um ponto final à obrigatoriedade da contribuição sindical, deixando nas mãos do próprio trabalhador a decisão de pagar um dia de seu salário anualmente ao sindicato.
Como esperado, as centrais chiaram e já se movimentam judicialmente para manter a imposição do recolhimento às empresas. Mostram que vale tudo para manter a galinha dos ovos de ouro, instituída em 1937, em plena ditadura varguista. Um anacronismo gritante, que só perpetua o atraso.
Sem a arrecadação compulsória, que só serve para acomodar a atuação sindical, espera-se uma oxigenação. Até então, os sindicatos tinham carta branca, completamente livres das pressões de seus sindicalizados e trabalhadores representados. O imposto sindical foi, durante décadas, um sustento financeiro para muitos oportunistas. A contribuição facultativa muda o cenário, passando a exigir mais disposição dos sindicatos, que precisarão se mobilizar para convencer os trabalhadores da necessidade de sua representatividade. Terão, enfim, que mostrar a que vieram, buscando formas de legitimar a sua liderança e provando sua efetividade na defesa dos direitos da maioria dos trabalhadores que representam.
O imposto sindical nada mais era do que uma herança maldita de um populismo há muito superado. São poucos os países do mundo em que sindicatos são mantidos por pagamentos compulsórios de trabalhadores.
Não há erro, os sindicatos comprometidos com o trabalhador não só sobreviverão; ficarão ainda mais fortalecidos. A fábrica de sindicatos em série, de olho em dinheiro fácil, será finalmente fechada. Uma imposição que foi para o lixo, e já foi tarde. Ressuscitar o imposto sindical só prejudica a representatividade.