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'Vida valeu a pena': morre brasileiro que fez o próprio velório em vida

O velório será realizado no Memorial Park nesta segunda-feira, 6/07, a partir das 10h, em Campo Grande

Publicado em 06 de Julho de 2026 às 08:35

BBC News Brasil

Publicado em 

06 jul 2026 às 08:35
Imagem BBC Brasil
Tiago Pitthan diz, em discurso, que venceu o câncer Crédito: Reprodução/BBC
Morreu no domingo (5/7), o advogado Tiago Pitthan, em Campo Grande (MS).
Diagnosticado com um câncer terminal, o homem de 47 anos ganhou visibilidade ao decidir fazer o próprio velório — e comparecer ainda vivo ao evento.
Ele deixou uma última publicação em suas redes sociais.
"Só pra falar pra vocês não se preocuparem. Estou bem, estou em paz, estou feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci. No final eu venci, porque eu venci todos os dias. A vida valeu. Um beijo do Bom Sujeito", disse ele em um vídeo publicado nas redes sociais no domingo.
Antes, Tiago escreveu em uma imagem que "a vida vale a pena" e brincou: "Talvez eu volte aqui e conte como foi…talvez não. Na dúvida, amo vocês!"
O velório será realizado no Memorial Park nesta segunda-feira, 6/07, a partir das 10h, em Campo Grande, segundo divulgado pelo perfil do próprio Tiago nas redes sociais.

Velório em vida

A ideia do velório em vida surgiu quando ele estava no funeral do pai. Tiago se deu conta de que o pai teria adorado estar ali, se divertindo com os amigos e familiares: "Só faltou ele ali. Aí eu decidi que eu não ia faltar no meu".
Foi um evento aberto, com roda de samba e shows de rock, e teve centenas de convidados — vários deles, desconhecidos, que foram tocados pela história de Tiago, conhecido entre os amigos como "o bom sujeito".
À BBC News Brasil, ele disse que quer deixar como legado a mensagem de que a vida vale a pena. "Eu escolho diariamente ser feliz. É uma escolha diária. Não é fácil, mas é possível."
Em um discurso no evento, ele contou como encarava a doença.
"As pessoas me perguntam todos os dias como é estar morrendo. Eu não sei. Tenho câncer terminal, não tem cura, faço tratamento paliativo. Mas não sei como é estar morrendo. Estou vivendo. Eu vou morrer uma vez só. Todos os outros dias eu estou vivendo. Isso aqui é um velório, porque fiz questão de chamar de velório. Porque quando damos nomes para as coisas, conseguimos enfrentar. Quando não damos nomes, elas assombram a gente."

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