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Covid-19

Venezuela decreta "quarentena radical" e Maduro culpa variante brasileira

Maduro defendeu publicamente o uso de cloroquina – medicamento sem eficácia comprovada para a doença, também defendida por Bolsonaro – para pacientes com Covid-19
Agência Estado

Publicado em 

22 mar 2021 às 08:47

Publicado em 22 de Março de 2021 às 08:47

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, fala com a imprensa após votar durante as eleições parlamentares, em Caracas
O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, fala com a imprensa após votar durante as eleições parlamentares, em Caracas Crédito: REUTERS/Fausto Torrealba
A Venezuela inicia nesta segunda-feira (22) uma "quarentena radical" para combater a nova onda de casos do novo coronavírus no país. A medida, anunciada pelo presidente Nicolás Maduro durante um pronunciamento na TV estatal nesse domingo, 21, deve durar duas semanas.
A determinação vem em um momento de piora da pandemia no país. Pela primeira vez desde outubro do ano passado, a Venezuela registrou mais de mil novos casos de covid na semana passada. De acordo com Maduro, a segunda onda no país está diretamente relacionada à variante brasileira da Covid-19, já detectada no país.
"Estamos diante da presença de uma segunda onda, sem dúvida alguma. A partir de sexta, 16 de março, detectamos, já na Venezuela, uma segunda onda do coronavírus, que tem como causa fundamental a chegada da variante brasileira ao nosso país, sem dúvida alguma", disse Maduro, confundido a data.
Ao se referir à variante brasileira, Maduro também aproveitou para criticar a resposta de Jair Bolsonaro à pandemia, chamando o presidente brasileiro de "irresponsável". Nas palavras do presidente venezuelano, o Brasil se tornou "a maior ameaça do mundo" em termos de saúde pública.
"É alarmante. Eu diria que está angustiante ver os relatos de São Paulo, do Rio de Janeiro e de todo o Brasil, e a atitude irresponsável da direita trumpista brasileira. A atitude irresponsável de Jair Bolsonaro com o povo do Brasil", afirmou Maduro.
E completou: "O Brasil se tornou a maior ameaça do mundo em relação à pandemia do novo coronavírus, assim já reconhecem os especialistas de todo o mundo. O Brasil é uma ameaça para o mundo hoje. Por culpa de quem? De Jair Bolsonaro. Que em meio ao colapso, em vez de pedir ajuda aos distintos setores –científicos, médicos, políticos – o que faz é confrontar para que o povo não faça quarentena, para que o povo não use máscara. Uma loucura, de verdade. Algo que não tem nome".
De acordo com o balanço da pandemia apresentado por Maduro na TV estatal, a Venezuela tem uma taxa de 27 casos ativos de Covid-19 para cada 100 mil habitantes. Segundo os dados mais recentes da Universidade americana Johns Hopkins, o país confirmou 817 novos casos da doença no domingo, com 10 mortes.

MADURO APOSTOU EM CLOROQUINA

Apesar das críticas a Jair Bolsonaro, Nicolás Maduro e o presidente brasileiro já estiveram alinhados sobre a resposta a ser dada à pandemia.
Em maio do ano passado, Maduro defendeu publicamente o uso de cloroquina –medicamento sem eficácia comprovada para a doença, também defendida por Bolsonaro – para pacientes com Covid-19. Antes, em outra recomendação polêmica, o presidente da Venezuela incentivou o consumo de uma mistura de ervas com mel e limão como forma de combater uma eventual infecção de Covid-19.

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