Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Mundo
  • Vacina britânica contra Ebola pode ficar pronta para testes em meses
Mundo

Vacina britânica contra Ebola pode ficar pronta para testes em meses

A variante rara do Ebola identificada no surto, chamada Bundibugyo, mata cerca de um terço dos infectados e ainda não tem um imunizante com eficácia comprovada

Publicado em 22 de Maio de 2026 às 19:32

BBC News Brasil

Publicado em 

22 mai 2026 às 19:32
Imagem BBC Brasil
O surto em curso, concentrado na República Democrática do Congo, já registrou 750 casos suspeitos e 177 mortes Crédito: Getty Images
Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estão desenvolvendo uma nova vacina contra o vírus Ebola que deve ficar pronta para testes clínicos em dois a três meses e pode ajudar a enfrentar a atual emergência sanitária.
O surto em curso, concentrado na República Democrática do Congo, já registrou 750 casos suspeitos e 177 mortes.
Responsável pelo atual avanço dos casos, a variante Bundibugyo do Ebola é rara e ainda não possui vacinas validadas em testes. Ela mata cerca de um terço das pessoas infectadas.
Mesmo assim, os cientistas de Oxford afirmam trabalhar em ritmo acelerado caso o surto saia de controle e a vacina experimental precise ser utilizada.
Não há confirmação de que o imunizante funcione. Ainda serão necessários testes em animais e testes clínicos em humanos para confirmar a sua eficácia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o risco do atual surto de Ebola de "alto" para "muito alto" na República Democrática do Congo.
Segundo a OMS, o risco também passou a ser considerado alto na região afetada pelo surto, embora permaneça baixo em nível internacional.
A atualização do status do surto ocorreu depois de a OMS declarar, no último domingo (17/05), emergência de saúde pública de interesse internacional, ressaltando que o surto não configura uma pandemia (situação em que uma doença infecciosa ameaça muitas pessoas ao redor do mundo simultaneamente, como ocorreu com a Covid-19).
Uma outra vacina experimental contra a Bundibugyo também está em desenvolvimento, mas a previsão é que leve entre seis e nove meses para ficar pronta para testes.
Imagem BBC Brasil
Crédito: BBC
A vacina que está sendo desenvolvida em Oxford usa a mesma tecnologia trabalhada pela equipe durante a pandemia de Covid-19.
Trata-se de uma tecnologia altamente adaptável, conhecida como ChAdOx1, que pode ser rapidamente ajustada para combater diferentes infecções.
Durante a pandemia, ela foi carregada com código genético do coronavírus. Desta vez, os cientistas utilizaram material genético da variante Bundibugyo do Ebola.
A tecnologia emprega um vírus de resfriado comum que normalmente infecta chimpanzés, mas que foi modificado geneticamente para se tornar seguro para humanos.
Os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da vacina usam esse vírus da gripe modificado para transportar e entregar às células informações genéticas importantes sobre o vírus Ebola Bundibugyo. Com isso, o organismo aprende a reconhecer e a combater a doença real.
A vacina não provoca infecção nem sintomas de Ebola, mas prepara o sistema imunológico para oferecer proteção.
A BBC apurou que os testes em animais já estão em andamento em Oxford.
Assim que a Universidade de Oxford disponibilizar o material em padrão farmacêutico, o Serum Institute da Índia deve iniciar a produção em larga escala da vacina contra o Ebola.
"Assim que entregarmos o material inicial, eles poderão produzir rapidamente e em grande escala", afirmou à BBC News a professora Teresa Lambe, diretora de imunologia de vacinas do Oxford Vaccine Group.
Segundo a OMS, a vacina poderá estar disponível para uso em testes clínicos dentro de dois a três meses.
De acordo com Lambe, do Oxford Vaccine Group, agir rapidamente é uma prioridade.
"As pessoas estão preocupadas com esse surto. Em geral, é preciso se preparar para o pior cenário possível. Esperamos que o rastreamento de contatos e quarentena sejam suficientes, mas não podemos desacelerar", afirmou.
Imagem BBC Brasil
Crédito: BBC
O atual surto de Ebola representa um desafio porque é causado por uma variante rara do vírus.
Existem seis espécies do vírus Ebola, mas apenas três provocam grandes surtos em humanos.
O vírus Bundibugyo causou apenas dois surtos anteriores — em Uganda, em 2007, e na República Democrática do Congo, em 2012 — e não era detectado havia mais de uma década.
Já existe uma vacina contra a variante Zaire, mais comum, mas ainda não há uma vacina comprovadamente eficaz para a Bundibugyo.
As vacinas contra o Ebola não seriam aplicadas em massa da mesma forma que ocorreu durante a pandemia de Covid-19.
Em vez disso, elas são usadas em uma estratégia conhecida como vacinação em anel, na qual apenas as pessoas com maior risco de infecção são imunizadas. Isso inclui contatos próximos de pacientes com Ebola e profissionais de saúde que tratam pessoas infectadas, que podem transmitir o vírus com facilidade.
A equipe de pesquisadores de Oxford já vinha trabalhando em vacinas semelhantes para a variante Sudão do vírus Ebola e para o vírus de Marburg.
Imagem BBC Brasil
Profissionais de saúde com equipamentos de proteção do lado de fora do Hospital Geral de Referência durante ações de combate ao surto de Ebola, em 21 de maio de 2026, em Mongbwalu, na República Democrática do Congo Crédito: Getty Images

O que é Ebola e quais são os sintomas?

Ebola é uma doença rara, mas mortal, causada por um vírus.
O vírus do Ebola normalmente infecta animais, geralmente morcegos frugívoros, mas surtos entre humanos às vezes podem começar quando as pessoas comem ou manuseiam animais infectados.
Os sintomas levam de dois a 21 dias para aparecer. Eles surgem repentinamente e começam como se fosse uma gripe, com febre, dor de cabeça e cansaço.
À medida que a doença progride, surgem vômitos e diarreia, podendo levar à falência de órgãos. Alguns pacientes, mas não todos, desenvolvem hemorragias internas e externas.
O vírus se espalha de uma pessoa para outra pelo contato com fluidos corporais infectados, como sangue ou vômito.

O que está sendo feito para conter o surto?

O governo da República Democrática do Congo enviou equipes de saúde para Bunia com equipamentos de proteção.
A OMS e a organização médica Médicos Sem Fronteiras (MSF) também estão presentes. Elas estão montando centros de tratamento e trabalhando em um plano de resposta.
Foi disponibilizado um número gratuito para a comunicação de sintomas.
Os residentes foram incentivados a tomar medidas como:
  • ligar imediatamente ao surgirem sintomas
  • evitar contato com corpos de pessoas que morreram com sintomas ou com animais mortos
  • não consumir carne crua, pois alimentos mal cozidos podem transmitir o vírus
  • praticar distanciamento social
*Reportagem adicional Emery Makumeno e Hafsa Khalil

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Confusão em evento com a presença de Lula em Aracruz acabou com um agente de segurança ferido
Tumulto em visita de Lula ao ES termina com segurança agredido por indígena
Carla Zambelli aparece na frente do complexo penitenciário de Rebibbia, onde estava detida desde julho
Carla Zambelli é liberada de presídio na Itália após Justiça negar extradição ao Brasil
Reforma da Matriz de São Sebastião, em Jucutuquara, retirou elementos que faziam parte da arquitetura da igreja
Fiéis recorrem ao MPES para paralisar reforma de igreja histórica em Jucutuquara

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados