Publicado em 24 de março de 2026 às 22:34
Por 5 votos a 2, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou nesta terça-feira (24/3) o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) por abuso de poder político e econômico e o tornou inelegível por oito anos.>
Votaram a favor as ministras Estela Aranha, Isabel Gallotti, Cármen Lúcia e os ministros Floriano de Azevedo Marques e Antônio Carlos Ferreira. Já Nunes Marques e André Mendonça votaram contra a condenação.>
Castro renunciou ao cargo na noite de segunda-feira (23/3), um dia antes julgamento ser retomado na Corte. Com isso, o TSE considerou que o debate sobre a cassação do mandato ficou prejudicado.>
Apesar disso, a inelegibilidade impede o ex-governador de disputar eleições pelos próximos oito anos, o que interfere seus planos de concorrer a uma cadeira no Senado em 2026. >
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Após a condenação, Castro disse, em nota enviada ao G1, que recebeu a decisão com "grande inconformismo" e que possui "plena convicção de que sempre governei o Rio de Janeiro dentro da legalidade, com responsabilidade e absoluto compromisso com a população".>
Ele também afirmou que pretende recorrer e "lutar até a última instância para restabelecer o que considero um desfecho justo para esse caso".>
"Reitero meu absoluto respeito aos Ministros do TSE e ao devido processo legal, mas é importante que se diga que todas as acusações apontadas no processo se referem a questões anteriores ao período eleitoral de 2022 e não tiveram qualquer influência na expressiva votação que recebi. Isso foi reconhecido pelo TRE do Rio de Janeiro", disse em nota. >
Castro foi condenado por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022, quando foi eleito governador do Rio de Janeiro.>
O processo se refere a supostas contratações irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). >
No processo, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, disse que Castro obteve vantagem eleitoral no pleito ao contratar servidores temporários sem amparo legal e ao descentralizar recursos para entidades desvinculadas da administração pública.>
Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o Ministério Público teria descoberto saques de dinheiro vivo em caixas eletrônicos, em valores que somam mais de R$ 240 milhões. Castro nega todas as acusações. >
Ao votar nesta terça-feira, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, afirmou que as provas demonstram o uso indevido da máquina pública com potencial para desequilibrar a disputa eleitoral.>
"Não tenho dúvida quanto a participação do governador Cláudio Castro nas irregularidades na Ceperj. A contratação atípica e excessiva de pessoal está demonstrada. Fica evidenciada a manipulação intencional da máquina administrativa estadual com o uso de programas e servidores para consolidar apoio político, auferir proveito eleitoral e isso põe em risco a igualdade entre os candidatos e compromete a integridade do processo eleitoral, o que é vedado", afirmou Cármen Lúcia. >
O TSE também decidiu pela inelegibilidade de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Ceperj.>
No ano passado, Castro foi absolvido da acusação de abuso de poder econômico e político no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por 4 votos a 3. >
Após a decisão, a coligação de Marcelo Freixo (então no PSB, hoje no PT), que concorreu com Castro ao cargo de governador em 2022, recorreu ao TSE. O placar apertado que absolveu Castro permitiu o recurso.>
O julgamento no TSE teve início em novembro. A relatora do processo, ministra Isabel Gallotti, votou pela perda do cargo de Castro, além da inegibilidade por oito anos. >
Ela também pediu a cassação do vice-governador da chapa de Castro, Thiago Pampolha (MDB), e do ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil), além da perda de inelegibilidade. O ministro Antonio Carlos Ferreira seguiu o voto da relatora. >
Atualmente, Pampolha é conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Ele foi indicado ao cargo por Castro no ano passado. >
Já Bacellar foi afastado da presidência da Alerj no fim de 2025, após uma investigação da Polícia Federal por suspeita de vazamento de inquérito sigiloso e conexões com uma facção criminosa. Ele chegou a ser preso durante operação.>
O julgamento foi retomado nesta terça após pedido de vistas do ministro Nunes Marques. Ele foi contra a condenação, sendo acompanhado pelo ministro André Mendonça.>
Em seu voto, Nunes Marques disse que era extremamente improvável que as "supostas irregularidades tenham tido finalidade eleitoreira". >
"Para a configuração do abuso, é mister que as ações impactem consideravelmente no processo eleitoral. Vejo apenas uma genérica presunção de que as irregularidades teriam finalidade eleitoreira", afirmou. >
O ministro ainda disse que não havia provas de que houve pressão para a adesão de os contratados para a Ceperj participarem da campanha.>
"Não foram trazidas aos autos provas materiais que ilustrem a materialização dessa participação.">
Já as ministras Estela Aranha e Cármen Lúcia, e o ministro Floriano de Azevedo Marques, seguiram a relatora. >
A renúncia de Castro foi anunciada durante um evento realizado no Palácio Guanabara, na noite de segunda-feira. >
Durante pronunciamento, Castro afirmou que vai se candidatar ao Senado. Ele teria que deixar o governo até o dia 04 de abril, conforme estipulado pela legislação eleitoral.>
Apesar disso, interlocutores ouvidos pelo jornal O Globo afirmaram que a renúncia é uma tentativa de esvaziar o processo no TSE e escapar da cassação do mandato.>
"Hoje eu encerro o meu tempo à frente do governo do Estado. Vou em busca de novos projetos. Como todos sabem, sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida e de forma grata", afirmou Castro.>
Com a renúncia do governador do Rio de Janeiro, será realizada uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Os deputados serão responsáveis por escolher um novo governador para cumprir o restante do mandato até o fim de 2026.>
Até lá, o governador interino será o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto de Castro.>
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