Publicado em 30 de maio de 2025 às 23:39
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país dobrará a tarifa sobre importações de aço e alumínio de 25% para 50%, a partir da próxima quarta-feira (04/06).>
Em um comício nessa sexta-feira (30/05) em Pittsburgh, Pensilvânia, Trump disse que a medida impulsionaria a indústria siderúrgica local e o fornecimento nacional, além de diminuir a dependência da China.>
O anúncio ocorre em meio a uma batalha judicial sobre a legalidade de algumas das tarifas globais de Trump, que um tribunal de apelações permitiu que continuassem após um tribunal federal ter ordenado a suspensão das taxas de importação.>
As tarifas sobre aço e alumínio não são afetadas pelo processo judicial em curso. >
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Produtos derivados de ferro e aço são o segundo item brasileiro mais exportado para os EUA, somando US$ 2,8 bilhões em vendas em 2024, ficando apenas atrás de petróleo (US$ 5,8 bilhões).>
A participação do Brasil no total de importações americanas de alumínio é pequena — menos de 1%. Mas do lado brasileiro, os EUA são importantes: representaram 16,8% das exportações brasileiras de alumínio em 2024.>
Antes do anúncio da tarifa de 10% imposta a todos os produtos brasileiros no início de abril, o principal impacto da gestão Trump para o Brasil veio justamente com a taxação de 25% sobre todas as importações americanas de aço e alumínio, que entraram em vigor em 12 de março.>
Nessa sexta, Trump anunciou também que US$ 14 bilhões seriam investidos na produção de aço na região de Pittsburgh por meio de uma parceria entre a US Steel e a japonesa Nippon Steel. >
Funcionários da Casa Branca disseram que Trump convenceu a japonesa Nippon Steel a aumentar seus investimentos nos EUA e dar ao governo uma voz fundamental sobre as operações das fábricas americanas.>
Os detalhes da parceria ainda não estão claros e nenhuma das empresas confirmou o acordo.>
O anúncio é o mais recente capítulo na recorrente pauta de Trump sobre tarifas.>
"Não haverá demissões nem terceirização, e todos os metalúrgicos dos EUA receberão em breve um merecido bônus de US$ 5.000", disse Trump à plateia, repleta de metalúrgicos, sob aplausos calorosos.>
Uma das principais preocupações dos metalúrgicos sobre o acordo comercial EUA-Japão era como o país asiático seguiria os acordos sindicais, que regulamentam salários e contratações.>
Trump iniciou seus comentários dizendo que "salvou" a US Steel, a maior fabricante de aço dos EUA, localizada em Pittsburgh, com as tarifas de 25% sobre o aço que ele implementou no seu primeiro mandato como presidente, em 2018.>
Ele promoveu o aumento para 50% como uma forma de garantir a sobrevivência da US Steel, que tem 124 anos.>
"Com 50%, eles não conseguem mais passar por cima da cerca", argumentou o republicano. >
"Vamos mais uma vez colocar o aço da Pensilvânia na espinha dorsal da América, como nunca antes.">
Na sexta-feira, sem fornecer detalhes, o presidente Trump acusou a China de violar uma trégua firmada sobre tarifas no início deste mês, durante as negociações em Genebra.>
O Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse posteriormente que a China não estava removendo barreiras não tarifárias conforme acordado.>
O país asiático rebateu com suas próprias acusações de irregularidades pelos EUA. >
A resposta de Pequim na sexta-feira não abordou diretamente as alegações de Washington, mas instou os EUA a "cessarem as restrições discriminatórias contra a China".>
A China é a maior fabricante mundial de aço, responsável por mais da metade da produção global, de acordo com estatísticas da Associação Mundial do Aço de 2022.>
Os EUA caíram ao longo dos anos para a posição de quarto maior produtor, atrás da China, Índia e Japão.>
"Se você não tem aço, não tem um país. Se não tem um país, não pode construir um exército. O que vamos fazer? Dizer: 'Vamos para a China buscar nosso aço nos tanques do exército'", brincou Trump no comício de Pittsburgh.>
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