Publicado em 17 de março de 2026 às 07:36
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na segunda-feira (16/3) que terá "a honra" de "tomar" Cuba e poderá fazer "o que quiser" com o país.>
Respondendo a perguntas de repórteres na Casa Branca, Trump afirmou: "Toda a minha vida ouvi falar de Cuba e dos EUA. Quando os EUA iriam fazer isso? Acho que terei... a honra de tomar Cuba.">
"Seja libertando-os, tomando-os — acho que poderei fazer o que quiser com eles, para dizer a verdade. Eles são uma nação muito fragilizada agora", declarou Trump, em suas declarações mais explícitas sobre o futuro da ilha até agora.>
A declaração de Trump foi dada no mesmo dia em que a ilha sofreu um apagão total, conforme confirmado pelas autoridades locais, e poucos dias depois de o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, admitir, em um pronunciamento público incomum, que seu governo está negociando com os EUA para "buscar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais".>
>
Nos últimos meses, os EUA têm bloqueado o envio de petróleo a Cuba — que é fundamental para a geração de eletricidade no país —, em uma aparente tentativa de forçar uma mudança de rumo no governo cubano.>
Em janeiro, o presidente dos EUA assinou uma ordem executiva ameaçando impor tarifas aos países que fornecem petróleo à ilha.>
A Venezuela, um dos seus principais fornecedores de petróleo bruto, interrompeu o envio do produto depois de tropas americanas terem capturado o presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e de sua vice-presidente, Delcy Rodríguez, ter assumido o seu lugar.>
Em seu discurso na última sexta-feira, Díaz-Canel afirmou que Cuba está há três meses sem receber petróleo devido ao "bloqueio", embora os cubanos já estivessem acostumados com os apagões e críticos apontem que a rede elétrica já sofre com anos de má manutenção.>
Na segunda-feira, milhões de pessoas em Cuba ficaram sem energia elétrica após o colapso da rede nacional, informou a operadora de energia do país UNE.>
Este é o mais recente de uma série de apagões generalizados que atingiram o país, cuja escassez crônica de combustível foi agravada pelo bloqueio dos EUA às remessas de petróleo para a ilha. A UNE afirmou que está restabelecendo gradualmente a energia em províncias e cidades de todo o país.>
Cuba depende fortemente da importação de combustível, e acredita-se que a Venezuela enviava cerca de 35 mil barris de petróleo por dia para Cuba — o que representava cerca de metade das necessidades de petróleo da ilha.>
Mas essas remessas foram interrompidas desde que os EUA prenderam Maduro em janeiro. Trump também ameaça impor tarifas a qualquer país que forneça petróleo a Cuba.>
Nenhum carregamento de petróleo chegou a Cuba nos últimos três meses, segundo o presidente cubano.>
O país com cerca de 10 milhões de habitantes tem enfrentado apagões generalizados nos últimos anos — causando descontentamento público que desencadeou raros protestos.>
Na semana passada, um prédio do Partido Comunista na cidade de Morón foi invadido por manifestantes após um protesto contra os altos preços dos alimentos e os constantes cortes de energia.>
Uma moradora de Havana disse à Reuters que o recente apagão "não a surpreendeu".>
"Estamos nos acostumando a viver assim", disse ela.>
>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta