Um ataque russo com mísseis e drones matou ao menos 18 pessoas na Ucrânia na última noite, incluindo duas crianças, em um dos maiores ataques lançados por Moscou nos últimos meses.
Um menino de 8 anos e uma mulher retirados dos escombros de um prédio de apartamentos estavam entre os 12 mortos em Dnipro, segundo autoridades locais. Outras 6 pessoas morreram na capital, Kiev.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que infraestrutura civil e de energia estava entre os alvos dos ataques em todo o país e que deixaram mais de 100 pessoas feridas.
Na manhã de terça-feira (02/06), equipes de resgate trabalhavam para localizar pessoas que poderiam estar presas sob os escombros em Kiev.
Alertas de ataque aéreo foram emitidos em grande parte da Ucrânia nas primeiras horas do dia.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que os ataques foram uma resposta a ataques anteriores da Ucrânia e disse, em comunicado, que todos os "objetivos da ofensiva" haviam sido alcançados.
Na semana passada, o governo russo advertiu que lançaria "ataques sistemáticos" após acusar o governo ucraniano de um ataque mortal contra um dormitório estudantil em uma área ocupada do leste da Ucrânia.
O governo ucraniano negou a acusação e disse que o ataque atingiu uma unidade militar russa.
Zelensky havia alertado em seu pronunciamento em vídeo na noite de segunda-feira (1º/6) que um "ataque em grande escala" era possível e pediu que moradores prestassem atenção redobrada aos alertas de ataque aéreo.
Na manhã desta terça-feira (2/6), Zelensky afirmou que a Rússia lançou 656 drones e 73 mísseis de diferentes tipos — balísticos, de cruzeiro e antinavio — durante a ofensiva da madrugada.
"Precisamos urgentemente da ajuda dos Estados Unidos no fornecimento de mísseis para os sistemas Patriot", afirmou o presidente ucraniano, em referência ao sistema usado para interceptar mísseis russos.
Há uma escassez de mísseis Patriot, situação agravada pela guerra travada pelos EUA e Israel contra o Irã.
Desde que voltou ao poder no ano passado, o presidente americano, Donald Trump, também interrompeu o envio direto de armamentos à Ucrânia. Com isso, aliados europeus de Kiev passaram a comprar os equipamentos dos EUA antes de enviá-los ao país.
"O principal ataque foi contra Kiev, onde dezenas de prédios residenciais e outras estruturas exclusivamente civis voltaram a ser danificados", afirmou Zelensky.
Impacto dos ataques na Ucrânia
Mais de 100 pessoas ficaram feridas em todo a Ucrânia. Em Kharkiv, no nordeste do país, onde instalações de energia e infraestrutura civil também foram atingidas, houve ao menos dez feridos, incluindo uma criança.
Uma instalação industrial também foi atacada mais ao sul, em Zaporizhzhia, enquanto regiões em diferentes partes do país foram alvo da ofensiva, afirmou o presidente.
Grandes colunas de fumaça podiam ser vistas subindo do centro da capital nesta terça-feira (2/6), enquanto o chefe da administração militar de Kiev alertava que mísseis balísticos haviam sido lançados e o prefeito da cidade, Vitali Klitschko, pedia que moradores permanecessem nos abrigos.
O zumbido dos drones podia ser ouvido entre mais de uma dezena de explosões ao longo da madrugada, à medida que os ataques atingiam a cidade.
O ataque provocou incêndios perto de um posto de combustível, de um canteiro de obras e de vários prédios residenciais, além de duas casas, afirmou Klitschko. Também houve relatos de apagões em diferentes partes da cidade.
Desde que um breve cessar-fogo expirou em maio, a Rússia lançou sucessivas ondas de ataques com mísseis e drones contra Kiev, incluindo bombardeios a um prédio residencial que mataram 24 pessoas, entre elas três crianças.
Dias depois, a Ucrânia respondeu com um ataque à região de Moscou que, segundo autoridades russas, matou três pessoas; ação que Zelensky identificou como "totalmente justificada".
A Ucrânia afirmou que as ameaças da Rússia eram "nada menos que chantagem descarada" e pediu a aliados que aumentassem a pressão sobre o governo russo, que lançou uma invasão em larga escala da Ucrânia em 2022.
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