Publicado em 13 de março de 2026 às 09:36
A poucos dias da cerimônia de entrega do Oscar deste ano (e com disputas acirradas em várias categorias), aqui estão as previsões dos críticos da BBC Caryn James (CJ) e Nicholas Barber (NB).>
A corrida para o Oscar de melhor filme costuma ter dois favoritos quando chega a grande noite.>
Em 2017, a dúvida era entre Moonlight: Sob a Luz do Luar e La La Land: Cantando Estações. Em 2022, entre No Ritmo do Coração e Ataque dos Cães.>
No início da temporada de premiações deste ano, a impressão era que os favoritos seriam dois vencedores do Globo de Ouro: Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (melhor drama) e Uma Batalha Após a Outra (melhor musical ou comédia).>
>
(A propósito, Uma Batalha Após a Outra é realmente um "musical ou comédia"? Bem, este é um assunto para outra reportagem.)>
Mas, desde então, Hamnet caiu um pouco e Pecadores ganhou força. O filme de terror sobre vampiros e bravura de Ryan Coogler colecionou prêmios importantes no Bafta e no Actor Awards, concedido pelo Sindicato dos Atores. Aparentemente, isso vem gerando cada vez mais boa vontade em relação ao filme.>
Uma Batalha Após a Outra ainda é — apenas — o favorito. Paul Thomas Anderson criou uma obra-prima única, triunfando em uma cerimônia de premiação após a outra.>
Seu foco nos conflitos entre imigrantes sem documentos e as autoridades americanas é extraordinariamente atual. Mas o filme também tem suas controvérsias: alguns críticos se queixam da sua ilustração sexualizada das mulheres negras.>
Meu palpite é que Pecadores ganhará o prêmio e Uma Batalha Após a Outra irá tropeçar na última barreira. (NB)>
Paul Thomas Anderson tem uma carreira repleta de filmes brilhantes e diferentes, desde Boogie Nights: Prazer Sem Limites (1997) até Trama Fantasma (2017).>
Ele já foi indicado 14 vezes, mas não ganhou um único Oscar. Nem mesmo de melhor roteiro, que costuma servir de prêmio de consolação.>
Desta vez, ele certamente conta a seu favor com a narrativa de que "esta é a sua vez". Mas não é por isso que ele deveria levar a estatueta.>
É preciso um grande diretor para fazer o que ele conseguiu em Uma Batalha Após a Outra, reunindo muitos cordões em um único e fascinante filme.>
O longa é politicamente atual, as interpretações são joias cômicas e existe uma história tocante entre pai e filha, ao lado de perseguições de carros e risadas. E Anderson reúne tudo isso sem um único momento de fraqueza.>
Ryan Coogler (Pecadores) é outro grande diretor e, não fosse por Uma Batalha Após a Outra, o Oscar poderia ser dele. Mas Anderson venceu todos os prêmios antes do Oscar, incluindo o Bafta e o do Sindicato dos Diretores.>
Ele também é um provável vencedor como produtor, se Uma Batalha for eleito melhor filme, e um forte concorrente na categoria de melhor roteiro adaptado. Por isso, ele pode levar três estatuetas para casa em uma única noite.>
Aconteça o que acontecer nas outras categorias, não vejo ninguém mais ganhar como melhor diretor. Não é apenas a vez de Anderson. O filme é totalmente a sua visão e uma das melhores obras da sua carreira. (CJ)>
De vez em quando, surge uma categoria no Oscar que tem meio que uma conclusão antecipada.>
Foi o que aconteceu, no ano passado, com melhor ator coadjuvante. Kieran Culkin ganhou diversos prêmios com a sua eletrizante atuação em A Verdadeira Dor. Por isso, ninguém se surpreendeu quando ele acrescentou o Oscar à sua pilha de troféus.>
É o caso da categoria de melhor atriz deste ano.>
Desde a estreia de Hamnet: A Vida Antes de Hamlet no Festival de Cinema de Telluride (Colorado, EUA), em agosto passado, todos preveem que Jessie Buckley irá ganhar o Oscar, pela sua intensa interpretação da esposa de Shakespeare. Meses se passaram e não surgiram concorrentes à altura.>
Não acreditei tanto quanto outros críticos neste filme sentimental de Chloé Zhao e fiquei cético em relação às grandes cenas com gritos e choros, que poderiam ter recebido uma legenda dizendo "clipe para o Oscar" na parte de baixo da tela.>
Mas Buckley é uma atriz talentosa e deslumbrantemente carismática, destinada a ganhar o Oscar há muito tempo.>
Se este for o ano dela, não vou me queixar, mesmo achando que três outras indicadas ofereceram interpretações melhores e mais suaves: Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria), Renate Reinsve (Valor Sentimental) e Emma Stone (Bugonia). (NB)>
Em certo momento, no longínquo mês de dezembro, parecia que Timothée Chalamet não teria como deixar de ganhar o Oscar deste ano. Mas, agora, parece que ele deve mesmo perder.>
Michael B. Jordan surgiu forte nos últimos meses por uma boa razão: ele é dinâmico e central no filme Pecadores. E também conta com o grau de dificuldade a seu favor, já que ele interpreta gêmeos idênticos.>
É preciso observar uma realidade sobre a eleição do Oscar que não diminui em nada sua incisiva interpretação. É que este tipo de atuação notória é exatamente o que os eleitores procuram.>
Chalamet oferece uma das suas interpretações mais completas até hoje em Marty Supreme e ainda tem chances de vencer. Mas ele perdeu o prêmio Bafta para Robert Aramayo (I Swear) e, o mais importante, o prêmio do Sindicato dos Atores para Jordan.>
Nos últimos meses, as conquistas de Marty Supreme na temporada de premiações encolheram, enquanto Pecadores ganhou terreno.>
Imagino que Jordan irá vencer. Mas, se eu tivesse direito a voto, escolheria Wagner Moura, pelo seu desempenho profundo e natural em O Agente Secreto.>
De fato, esta categoria talvez tenha o grupo mais forte de indicados do ano. E um empate quíntuplo, incluindo Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra) e Ethan Hawke (Blue Moon: Música e Solidão), não ficaria nada mal. (CJ)>
Adoro o desempenho de Sean Penn em Uma Batalha Após a Outra.>
Usando tudo o que tem ao seu dispor, desde sua tensa postura, passando pelo seu cabelo loiro platinado até um conjunto de espasmos e caretas, Penn se transforma em uma figura grotesca e exagerada: o malévolo e azarado coronel Lockjaw.>
Penn já conquistou o prêmio Bafta e do Sindicato dos Atores, mas ele enfrenta Stellan Skarsgård, que aparece formidável como um tipo diferente de vilão, o diretor de cinema egoísta de Valor Sentimental.>
A grande diferença entre os dois é que Sean Penn já tem dois Oscars (por Sobre Meninos e Lobos, em 2004, e Milk: A Voz da Igualdade, em 2009). Já Skarsgård, de 74 anos, ainda não ganhou o prêmio.>
Mais que por oferecer uma das mais profundas caracterizações da sua carreira, o sueco poderá vencer simplesmente por que a indústria cinematográfica americana o adora — a ele e aos seus filhos também atores, Alexander e Bill. (NB)>
Esta tem sido uma das categorias mais difíceis de se prever em toda a temporada. E continua sendo.>
Primeiro, Amy Madigan saiu na frente por A Hora do Mal. Depois foi a vez de Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra).>
Agora, Madigan pode estar novamente na frente, depois de ganhar o prêmio do Sindicato dos Atores. Mas quem sabe ao certo?>
Madigan tem uma longa e respeitada carreira que trabalha a seu favor, enquanto Taylor explodiu na tela com aquele tipo de presença que cria estrelas do cinema.>
É a clássica disputa entre a veterana e a recém-chegada, que pode se definir em favor de uma ou de outra. Mas eu aposto em Taylor, devido ao grande momento de Uma Batalha Após a Outra.>
É claro que Pecadores também está em alta e Wunmi Mosaku ganhou o Bafta. Por isso, ela pode surgir como surpresa. E Inga Ibsdotter Lilleaas oferece em Valor Sentimental uma interpretação tão magnífica, ainda que mais sutil, que eu diria que deveria ganhar.>
Mas sejamos realistas: esta é uma contenda entre duas atrizes.>
A votação para o Oscar já terminou, de forma que só resta a Madigan e Taylor roerem as unhas. (CJ)>
Com um recorde de 16 indicações ao Oscar, Pecadores certamente irá ganhar em várias categorias. E a mais provável é a de melhor roteiro original.>
Considerando que Pecadores foi o filme de maior bilheteria do mundo em 2025 que não foi baseado em histórias pré-existentes, é possível defender que o roteiro de Ryan Coogler já se qualifica como o mais bem sucedido roteiro original do ano.>
Também não podemos esquecer que Coogler é o diretor e roteirista de dois filmes imensamente lucrativos: Pantera Negra (2018) e Creed: O Legado de Rocky (2015). Ou seja, a Academia provavelmente deveria ter dado a ele o Oscar anos atrás.>
Mas, mesmo se ignorarmos a bilheteria dos seus filmes, o roteiro de Pecadores se destaca como uma grande conquista.>
Coogler escreveu um filme de terror extremamente tenso, que também é um thriller de gângsters ambientado em um período elegante e um musical ruidoso, que apresenta a música afro-americana como uma força mágica que pode unir o tempo e o espaço.>
Seria muito apropriado se o Oscar de melhor roteiro original fosse para um roteiro tão original. (NB)>
Bugonia? Frankenstein? Sonhos de Trem?>
Todos os três têm méritos, mas ninguém está delirando com seus roteiros. Isso nos deixa com Hamnet: A Vida Antes de Hamlet e Uma Batalha Após a Outra como os únicos reais concorrentes para o Oscar de melhor roteiro adaptado.>
Para mim, o roteiro de Chloé Zhao e Maggie O'Farrell (Hamnet) é simplista e superficial, se comparado com o romance de O'Farrell. Ele insiste em temas que emergem suavemente de suas páginas.>
Já a adaptação do livro Vineland, de Thomas Pynchon, por Paul Thomas Anderson é totalmente diferente. O mais preciso é dizer que Uma Batalha Após a Outra foi inspirado pelo livro, não adaptado dele.>
Anderson passou vários anos retirando trechos de Pynchon, mas os reuniu em um novo formato cinematográfico, acelerando a história de forma alucinante, investindo nela com seus próprios sentimentos sobre paternidade, incluindo toques de comédia sombria e trazendo tanto material contemporâneo extraído das manchetes que nunca imaginaríamos que o romance foi publicado em 1990.>
O roteiro já ganhou o prêmio Bafta e o Globo de Ouro. Seria surpreendente se não levasse também o Oscar. (NB)>
Os produtores da cerimônia do Oscar sempre tentam destacar os filmes mais populares do ano.>
Muitas vezes, esta é uma batalha inútil. Mas, este ano, eles terão seu desejo satisfeito com a vitória certa de Guerreiras do K-Pop.>
E por que não? Afinal, a ideia de um grupo de garotas enfrentando monstros e salvando o mundo é inspiradora.>
O filme é divertido, colorido e animado. Ele traz uma forte mensagem de "seja real consigo mesmo", canções contagiantes (Golden certamente ganhará o Oscar de melhor canção original) e um enorme sucesso global.>
Guerreiras do K-Pop ganhou quase todos os prêmios da categoria antes do Oscar. A única razão para não ter levado o Bafta é porque não foi lançado nos cinemas britânicos e, por isso, não pôde concorrer.>
O prêmio Bafta foi para Zootopia 2, que também é um grande sucesso de bilheteria. Mas os exuberantes animais do desenho não são páreo para a originalidade de cantoras caçadoras de demônios. (CJ)>
Todos os cinco indicados nesta categoria estão entre os filmes mais fortes do ano, independentemente do país.>
E, certamente indicando que o cinema é global, os dois favoritos da categoria também disputam merecidamente o prêmio de melhor filme: Valor Sentimental e O Agente Secreto.>
O thriller político oportuno e estimulante sobre a ditadura brasileira deveria sair vencedor.>
Misturando histórias políticas e pessoais, O Agente Secreto gira em torno da interpretação carismática de Wagner Moura. E é verdade que Kleber Mendonça Filho não concorre para melhor diretor, mas sua indicação foi considerada logo no princípio.>
Um ano depois da primeira vitória brasileira com Ainda Estou Aqui, outro Oscar para o país parece estimulante.>
Mas acho um pouco mais provável que o prêmio vá para o norueguês Valor Sentimental, que tem nove indicações, incluindo três no setor de interpretação, além de melhor direção e roteiro original para Joachim Trier.>
Ainda mais importante que o seu show de força é que este drama familiar emocional e eloquente torna mais fácil mergulhar no seu mundo. E este detalhe pode representar uma vantagem sobre O Agente Secreto, que é mais desafiador. (CJ)>
A 98ª cerimônia de entrega do Oscar ocorre no domingo, dia 15 de março.>
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Culture.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta