O ator Dwayne Johnson (conhecido como The Rock) volta ao papel do semideus Maui dublado por ele na versão animada, enquanto a estreante australiana-samoana Catherine Laga'aia, de 19 anos, interpreta Moana, filha adolescente de um chefe polinésio que sai numa aventura para salvar seu povo.
O filme, lançado no Brasil na quinta-feira (9/7), foi descrito por críticos como "sem graça", "entediante", "desnecessário" e "lamentável".
Em sites que agregam avaliações de filmes, Moana obteve 42% no Metacritic (com base em 35 críticas) e 33% no Rotten Tomatoes (com base em 115 críticas), que resume o consenso da crítica afirmando que o filme "é uma empreitada bastante sem vida que consolida a animação original como a aventura superior".
Entre as avaliações mais favoráveis está a de Owen Gleiberman, da revista americana Variety. Para ele, o longa "escapa da maldição dos remakes — na verdade, vai além dela".
Segundo Gleiberman, o filme "entrega de fato Moana, sua beleza, seu humor e seu encanto de conto de fadas" e a escolha de Johnson para o papel é "perfeita".
Já Peter Bradshaw, do jornal britânico The Guardian, foi na direção contrária. Em uma crítica na qual deu duas estrelas ao filme, Bradshaw o descreveu como "um remake em live-action competente, mas desnecessário e sem empolgação, que volta ao básico".
Bradshaw afirmou que Johnson atua "no piloto automático, como um software" e criticou o uso de computação gráfica (CGI, na sigla em inglês), que, segundo ele, é "tão predominante" que o filme "parece mais uma animação".
Bradshaw concluiu dizendo que a produção "parece apenas mais um conteúdo supérfluo criado para ser monetizável".
Clarisse Loughrey, do jornal britânico The Independent, foi ainda mais dura. Em sua crítica de uma estrela, definiu Moana como "um desperdício do tempo e do talento de todos".
"A situação chegou a esse ponto, a ponto de aceitarmos Dwayne Johnson repetindo exatamente a mesma interpretação de voz que fez uma década atrás?", escreveu Loughrey.
Ela também criticou o visual 'animação' do filme: "Supostamente, algumas cenas foram filmadas no Havaí, e não em um estúdio em Atlanta. Eu seria incapaz de dizer quais."
John Nugent, da revista especializada em cinema Empire, também criticou negativamente o filme. Segundo Nugent, o personagem de Johnson "parece uma interpretação feita por inteligência artificial", e chamar a produção de live-action "é quase um equívoco", devido ao uso intenso de computação gráfica.
Em sua crítica que conferiu duas estrelas ao filme, Nugent afirmou que o remake parece "completamente desnecessário", já que o filme original era "uma divertida, emocionante e bem-humorada história de amadurecimento, com músicas excelentes e uma abordagem polinésia cativante da fórmula das princesas da Disney".
Kevin Maher, do jornal britânico The Times, escreveu que Johnson, de 54 anos, está "três décadas mais velho para interpretar Maui" e que sua atuação é "estranhamente sem brilho e contida".
Em sua crítica de uma estrela, Maher também classificou o filme como "uma tentativa preguiçosa de arrancar dinheiro para acionistas".
"Este remake em live-action pega tudo o que havia de vibrante, grandioso e ambicioso [no original] e transforma em algo pesado, limitado e sem graça", escreveu Maher.
'Poderia ter sido feito por IA'
Robbie Collin, do jornal britânico The Telegraph, também não poupou críticas. Segundo ele, o filme "poderia ter sido feito a partir de um comando no ChatGPT", em referência à ferramenta de inteligência artificial.
Ao dar duas estrelas ao filme, Collin escreveu que "quase não há um momento que não pareça ter sido criado digitando: 'E se esta cena de Moana fosse refeita em live-action?' em um campo de comando".
As críticas positivas foram minoria. A avaliação de David Rooney, da revista Hollywood Reporter, que está entre elas, descreveu o filme como "um entretenimento familiar envolvente que merece encontrar seu público, repleto de elementos visuais interessantes, cores vibrantes, belos elementos de design e cenários tropicais deslumbrantes".
O roteiro foi adaptado por Jared Bush, responsável pelo texto do filme original. As músicas de Lin-Manuel Miranda foram mantidas, enquanto Thomas Kail, diretor da montagem teatral de Hamilton, faz sua estreia na direção de um longa-metragem.
Nos últimos 15 anos, a Disney lançou mais de 20 remakes em live-action de seus clássicos, com resultados variados.
Em 2023, A Pequena Sereia não foi um sucesso de bilheteria. Mas a empresa se recuperou em 2024 com Mufasa: O Rei Leão.
No ano passado, a Disney perdeu US$ 170 milhões (cerca de R$ 918 milhões) com o remake em live-action de Branca de Neve. Poucos meses depois, se recuperou rapidamente desse prejuízo quando Lilo & Stitch, também em live-action, se tornou um dos maiores sucessos do ano, arrecadando US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões).