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Os resgates de dois meninos de 11 anos presos após dias nos escombros dos terremotos na Venezuela

As equipes de resgate passaram seis horas cavando cuidadosamente para alcançar um dos meninos, enquanto muitos moradores continuam vasculhando os escombros com as próprias mãos, ainda esperando a chegada de máquinas pesadas.

Publicado em 28 de Junho de 2026 às 12:35

BBC News Brasil

Publicado em 

28 jun 2026 às 12:35
Imagem BBC Brasil
Moises, de 11 anos, foi retirado dos escombros depois de ficar preso por dias Crédito: ungrd_oficial
Dois meninos de 11 anos foram resgatados dos escombros de edifícios que desabaram nos fortes terremotos que atingiram a Venezuela esta semana. Os dois estavam soterrados em locais diferentes.
Um vídeo divulgado neste domingo (28/06) mostra um dos meninos, identificado como Moises, sendo retirado dos destroços — com os olhos cobertos para protegê-los do sol — sob aplausos dos socorristas.
Horas depois, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que outro menino de 11 anos havia sido resgatado e publicou um vídeo no X, onde ele aparece sendo carregado em uma maca.
Desde os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na quarta-feira, autoridades confirmaram pelo menos 1.430 mortes. Dezenas de milhares de pessoas ainda estão desaparecidas.
Já se passaram mais de 72 horas desde o primeiro terremoto, mas os socorristas não perderam as esperanças, afirmando que pessoas ainda podem estar vivas, especialmente se tiverem acesso a comida e água sob os escombros.
Os dois terremotos de quarta-feira, que ocorreram com um intervalo de 39 segundos, fizeram centenas de edifícios desabarem e muitas pessoas continuam presas dentro deles. Famílias desesperadas têm escavado os destroços com as próprias mãos, tentando encontrar seus entes queridos.
Algumas disseram à BBC que conseguem ouvir pessoas sob os escombros, mas não conseguem mover as pesadas placas de concreto e aguardam ansiosamente a chegada de maquinário pesado.

Trabalho de seis horas

A Unidade Nacional de Gestão de Risco de Desastres (UNGRD) informou que Moises estava soterrado sob cerca de 3 metros de escombros, e que a equipe de resgate passou seis horas realizando um trabalho de "alta precisão" no sábado para alcançá-lo.
A Reuters informou que um socorrista foi ouvido no rádio dizendo que o menino foi encontrado perto de sua irmã e de sua mãe, que haviam morrido.
Horas depois, Delcy Rodríguez publicou um vídeo no X, mostrando o resgate do segundo menino de 11 anos na cidade de Caraballeda.
"Nestas horas, cada vida é esperança para a Venezuela", escreveu.
Autoridades disseram que a região costeira de La Guaira, onde fica Caraballeda, foi a mais atingida.
Os esforços de resgate têm sido prejudicados por tremores secundários, que por sua vez têm aterrorizado os moradores.
"Para ser sincero, isso deixa a pessoa meio nervosa. Qualquer barulho... horrível", disse Jesús Andueza, um motorista de ônibus de 64 anos, à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC).
Milhares de pessoas estão vivendo em seus carros ou acampando em locais como o aeroporto e campos de golfe, longe de edifícios que podem desabar.
O campo de golfe em Caraballeda tornou-se o epicentro da resposta de emergência.
Seu gramado verde, que antes era perfeitamente cuidado, agora é um hospital improvisado e centro de doações, onde moradores que perderam tudo vasculham pilhas de roupas doadas e caixas de ajuda humanitária.
Em outra parte do campo de golfe, ao lado de uma pequena lagoa, uma faixa de terra foi preparada como área de pouso para helicópteros que chegam com suprimentos e equipes de emergência da Venezuela e do exterior.
Na área ao redor do campo de golfe, as ruas de Caraballeda — rachadas e cobertas de escombros — são marcadas por poeira e silêncio, interrompidos apenas pelo maquinário pesado e por aqueles que realizam buscas entre os destroços.
Imagem BBC Brasil
Um campo de golfe na cidade de Caraballeda se tornou o epicentro da resposta de emergência Crédito: BBC
Milagros González, disse à BBC Mundo que seu prédio foi um dos poucos que não desabaram e que ela fugiu assim que pôde para se abrigar no campo de golfe.
"Saí com minhas duas filhas pequenas e dois parentes idosos. Mas, graças a Deus, saímos vivos. O prédio não é habitável. Mas estamos vivos, que é o que importa", disse.
González disse que toda vez que se deita, acorda tonta e acha que o chão está tremendo.
"Um psicólogo acabou de me dizer que isso faz parte do processo", disse, enquanto suas duas filhas pequenas brincam com bonecas sobre um colchão na grama.
Imagem BBC Brasil
Roupas doadas estão se acumulando no campo de golfe de Caraballeda, para residentes que perderam tudo Crédito: EPA
Em uma mensagem de vídeo no domingo, Delcy Rodríguez disse que o complexo esportivo José María Vargas, em La Guaira, também está funcionando como centro de resposta de emergência.
Ao destacar que as forças armadas estavam organizando roupas, medicamentos e alimentos, Rodríguez disse que "tudo está funcionando da melhor maneira possível nestes momentos terríveis, nestas horas terríveis que nosso povo está enfrentando".
"Que saibam que ninguém aqui está sozinho, nenhuma família ou indivíduo precisa se sentir sozinho. Nosso povo e nosso Estado estão aqui, o sistema de proteção social está aqui, e a solidariedade internacional está aqui."
Mas a frustração tem aumentado, com alguns dizendo que a resposta do governo é lenta e ineficiente. Em algumas das áreas mais afetadas, como Caribe e Tanaguarena, há regiões inteiras onde a remoção de escombros ainda não começou.
Nos últimos dias, equipes internacionais de resgate do México, Espanha, Qatar, Estados Unidos e Reino Unido chegaram para reforçar a busca.
Tom Fletcher, uma autoridade da ONU, disse no sábado que 39 equipes de busca e resgate foram mobilizadas de todo o mundo, cada uma composta por 50 a 100 pessoas.
"Estamos falando de quase 2 mil pessoas chegando, 111 cães, além de equipes médicas. Utilizamos microdrones que nos ajudam a encontrar pessoas nos edifícios."

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