Publicado em 31 de dezembro de 2023 às 23:00
Pode ser uma taça de champanhe para brindar, uma cerveja gelada na praia ou uma caipirinha com amigos no bar.>
Mas se você estiver tomando certos medicamentos ao mesmo tempo, seu corpo pode ser afetado de várias maneiras.>
Misturar determinados remédios com álcool significa que eles podem não funcionar tão bem. Com outros, você corre o risco de ter uma overdose potencialmente fatal.>
A seguir, compartilhamos o que você precisa saber se estiver tomando algum tipo de remédio e pretende beber.>
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Depois que você toma um medicamento por via oral, ele vai para o estômago. De lá, é transportado para o fígado, onde é metabolizado e decomposto antes de entrar na corrente sanguínea.>
Cada remédio que você toma é fornecido em uma dose que leva em consideração o metabolismo que acontece no fígado.>
Quando você ingere bebida alcoólica, o álcool também é decomposto no fígado, e isso pode afetar o quanto do medicamento é metabolizado.>
Alguns remédios são mais metabolizados, o que pode significar que não chegam à corrente sanguínea numa quantidade suficiente para serem eficazes.>
Outros medicamentos são menos metabolizados. Ou seja, você recebe uma dose muito maior do que a prevista, podendo levar a uma overdose.>
Os efeitos do álcool (como a sonolência) podem se somar aos efeitos similares que um medicamento pode ter.>
Se você vai ter ou não uma interação medicamentosa, e qual interação você vai ter, depende de vários fatores. Isso inclui o medicamento que você está tomando, a dose, a quantidade de álcool que você consumiu, sua idade, genética, sexo e estado geral de saúde.>
Mulheres, idosos e pessoas com problemas hepáticos são mais propensas a terem uma interação medicamentosa com álcool.>
Muitos medicamentos interagem com o álcool —independentemente de serem vendidos com ou sem receita médica, como os remédios à base de plantas.>
1. Medicamentos + álcool = sonolência, coma, morte>
Consumir bebida alcoólica e tomar um medicamento que deprima o sistema nervoso central para reduzir a agitação e a estimulação pode ter efeitos cumulativos.>
Juntos, eles podem te deixar mais sonolento, diminuir sua respiração e batimentos cardíacos — e, em casos extremos, levar a um estado de coma e à morte. Esses efeitos são mais prováveis se você usar mais de um medicamento desse tipo.>
Os medicamentos a serem observados incluem aqueles para depressão, ansiedade, esquizofrenia, dor (exceto paracetamol), distúrbios do sono (como insônia), alergias, resfriados e gripes.>
É melhor não tomar álcool com esses medicamentos ou reduzir ao mínimo a ingestão de álcool.>
2. Medicamentos + álcool = mais efeitos>
Misturar álcool com alguns medicamentos aumenta o efeito deles.>
Um exemplo é o zolpidemm, um comprimido para dormir, que não deve ser tomado com álcool.>
Efeitos colaterais raros, mas graves, incluem comportamentos estranhos durante o sono, como comer, dirigir ou caminhar enquanto se está dormindo, que são mais prováveis com o consumo de álcool.>
3. Medicamentos + cerveja artesanal ou caseira = pressão alta>
Alguns tipos de medicamentos só interagem com alguns tipos de álcool.>
Entre eles, estão alguns medicamentos para depressão, como fenelzina, tranilcipromina e moclobemida, o antibiótico linezolida, a droga contra o Parkinson selegilina e o medicamento contra o câncer procarbazina.>
Esses chamados inibidores da monoamina oxidase interagem apenas com alguns tipos de cervejas artesanais, cervejas com sedimentos visíveis, cervejas belgas, coreanas, europeias e africanas, e cervejas e vinhos caseiros.>
Esses tipos de bebidas alcoólicas contêm altos níveis de tiramina, uma substância natural geralmente decomposta pelo corpo que normalmente não causa nenhum dano.>
No entanto, os inibidores da monoamina oxidase impedem que o corpo decomponha a tiramina.>
Isso aumenta os níveis no seu corpo e pode fazer com que sua pressão arterial suba a níveis perigosos.>
4. Medicamentos + álcool = efeitos mesmo depois de parar de tomar>
Outros medicamentos geram interação porque afetam a maneira como o corpo decompõe o álcool.>
Se você consumir bebida alcoólica enquanto estiver tomando estes medicamentos, pode sentir náuseas, vomitar, apresentar rubor na face e pescoço, sentir falta de ar ou tonturas, o seu coração pode bater mais rápido do que o habitual, ou a sua pressão arterial pode cair.>
Isso pode acontecer mesmo depois quando você interrompe o tratamento, mas ingere álcool na sequência.>
Por exemplo, se estiver tomando metronidazol, você deve evitar consumir álcool não só durante o uso do medicamento, como também por pelo menos 24 horas após parar de tomá-lo.>
Um exemplo de como o álcool altera a quantidade do medicamento ou de substâncias relacionadas no corpo é a acitretina. Este medicamento é usado para tratar doenças de pele, como psoríase grave, e para prevenir o câncer de pele em pessoas submetidas a um transplante de órgão.>
Quando você toma acitretina, ela se transforma em outra substância — etretinato —, antes de ser eliminada do seu corpo.>
O álcool aumenta a quantidade de etretinato no corpo. Isso é particularmente importante, uma vez que o etretinato pode causar defeitos congênitos.>
Para evitar isso, se você é uma mulher em idade fértil, deve evitar consumir álcool enquanto estiver usando o medicamento — e por dois meses depois de parar de tomá-lo.>
1. Álcool e controle de natalidade>
Um dos mitos mais comuns sobre medicamentos e álcool é que você não pode beber enquanto toma pílula anticoncepcional.>
Em geral, é seguro consumir bebida alcoólica com a pílula, pois não afeta diretamente o funcionamento do controle de natalidade.>
Mas a pílula é mais eficaz quando tomada à mesma hora todos os dias. Se você beber muito, é mais provável que se esqueça de fazer isso no dia seguinte.>
O álcool também pode causar náusea e vômito em algumas pessoas. Se você vomitar até três horas depois de tomar a pílula, ela não vai funcionar. Isso aumenta o risco de gravidez.>
As pílulas anticoncepcionais também podem afetar sua resposta ao álcool, uma vez que os hormônios que contêm podem alterar a maneira como seu corpo elimina o álcool.>
Isso significa que você pode ficar bêbada mais rápido — e ficar bêbada por mais tempo do que o normal.>
2. Álcool e antibióticos>
Depois, há o mito de não misturar álcool com nenhum tipo de antibiótico. Isso se aplica apenas ao metronidazol e à linezolida.>
Mas é melhor evitar a ingestão de álcool enquanto estiver tomando quaisquer antibióticos.>
Os antibióticos e o álcool possuem efeitos colaterais semelhantes, como dor de estômago, tontura e sonolência.>
Usar os dois juntos significa que é mais provável que você apresente esses efeitos colaterais.>
O álcool também pode reduzir sua energia e aumentar o tempo que leva para você se recuperar.>
Se você pretende consumir bebida alcoólica e está preocupado com qualquer interação com seus medicamentos, não deixe de tomá-los.>
O seu médico pode dizer se é seguro beber com base nos remédios que você está tomando — e, se não for, orientar sobre alternativas.>
Nial Wheate é professor associado da Escola de Farmácia de Sydney, da Universidade de Sydney, na Austrália.>
Jessica Pace é professora associada da Universidade de Sydney.>
*Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).>
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