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Os ataques cibernéticos a aplicativos de alertas de emergência na Rússia e Ucrânia

Alertas falsos avisavam moradores sobre iminentes ataques aéreos, incluindo ataques nucleares e químicos.

Publicado em 02 de Novembro de 2026 às 08:33

BBC News Brasil

Publicado em 

02 nov 2026 às 08:33
Imagem BBC Brasil
Os ucranianos estão acostumados a reagir aos avisos de ataques russos enviados pelo aplicativo de alerta aéreo Crédito: Reuters

A Ucrânia e a Rússia alegaram que seus aplicativos de alerta de emergência foram invadidos no domingo (1/11) à noite e passaram a enviar alertas falsos aos moradores, avisando sobre ataques aéreos e outros tipos de ataques, incluindo nucleares.

Pouco antes das 23h do horário local (18h no horário de Brasília), o aplicativo de alerta de ataques aéreos mais utilizado na Ucrânia enviou avisos de nível vermelho para todo o país — com alertas adicionais de radiação, ataques químicos e agitação civil enviados a moradores de áreas como Kiev.

Um alerta enviado depois pelo Telegram dizia: "O aplicativo Air Alarm provavelmente sofreu uma interferência hostil. Não há ameaça de radiação! Mantenha a calma e acompanhe nossas atualizações em nosso canal."

Algumas horas depois, as autoridades russas disseram que seu aplicativo havia sido hackeado. Um grupo secreto ucraniano na Crimeia (anexada pela Rússia), que espiona atividade russa, alegou que falsos alertas de ataques nucleares dentro da Rússia haviam sido enviados aos usuários.

Na Ucrânia, a Agência Central de Inteligência afirmou que houve uma falha no aplicativo e pediu à população que utilizasse outras fontes de informação para esclarecer a situação sobre a ameaça de ataques aéreos.

Os alertas começaram por volta das 22h47, com o primeiro aviso emitido em Kiev, que dizia: "Ameaça de radiação. Ameaça de radiação declarada em Kiev."

A próxima mensagem, escrita em russo, chegou às 22h48 e dizia: "Olá! Haverá um alerta nuclear em toda a Ucrânia. Não se preocupem, é o Oreshnik voando".

Oreshnik é o nome de um míssil balístico russo de alcance intermediário capaz de transportar ogivas nucleares ou convencionais.

A Rússia possui o maior arsenal nuclear do mundo, e o presidente Vladimir Putin tem sugerido em diversas ocasiões a abertura para o uso de todas as armas à disposição da Rússia.

Um terceiro alerta, às 22h49, em ucraniano, dizia: "Ameaça química. Há uma ameaça de ataque químico em Kiev. Não saia de casa."

Imagem BBC Brasil
Mensagens de alerta em vermelho, laranja e verde foram enviadas à população da Ucrânia Crédito: BBC

Às 22h49, um quarto alerta informou sobre uma "Ameaça de confrontos de rua. Há confrontos de rua ocorrendo em Kiev. Não saia de casa."

Às 23h53, uma série de mensagens de "tudo resolvido" foi enviada aos telefones dos usuários que haviam recebido os alertas anteriores de Kiev, declarando que cada ameaça havia sido eliminada.

A Agência Central de Inteligência informou no Telegram que os alertas acionaram um aviso de risco radiológico em alto-falantes na região de Lviv, mas acrescentou que não havia qualquer ameaça de radiação.

O aplicativo Air Alert, mantido pelo Ministério da Transformação Digital da Ucrânia, informa instantaneamente aos usuários o início e o fim de alertas de defesa. O ministério afirmou que desativou temporariamente o aplicativo para manutenção após ele "aparentemente ter sido comprometido".

Embora os falsos alarmes tenham sido rapidamente contidos, especialistas em segurança cibernética sugeriram que se tratava de uma nova linha de aparentes ciberataques russos.

"Acho que é a primeira vez que isso acontece com um aplicativo oficial de informações ucraniano, mas suspeito que não será a última", disse Herbert Lin, pesquisador de política e segurança cibernética da Universidade Stanford, à BBC.

Oleksander Merezhko, presidente da comissão de relações exteriores do Parlamento ucraniano e membro do partido Servo do Povo, do presidente Volodymyr Zelensky, disse à BBC que o ataque não causou pânico nem reações extremas. Merezhko afirmou que os ucranianos, especialmente em Kiev, estão acostumados a "alertas praticamente ininterruptos".

"Em segundo lugar, esta mensagem estava em russo, o que imediatamente despertou suspeitas", disse ele.

"É um fato muito desagradável, mas faz parte da guerra cibernética e as pessoas na Ucrânia entendem isso. É possível e estamos bastante preparados para tais possibilidades."

Caso o aplicativo de alertas não esteja funcionando, o Centro Ucraniano de Combate à Desinformação aconselha o público a ativar as notificações em seus smartphones, prestar atenção às sirenes e consultar apenas fontes oficiais.

Diversos líderes de outras regiões também publicaram no Telegram que o aplicativo aparentemente havia sido hackeado e que não havia ameaça local.

"Por enquanto, tudo está calmo na região", disse Svitlana Onyshchuk, chefe da região de Ivano-Frankivsk. O aplicativo havia emitido um alerta vermelho de ataque aéreo para a região leste da Ucrânia, entre 22h50 e 23h57.

A chefe regional de Vinnytsia, Natalya Zabolotna, afirmou que houve um ataque cibernético ao aplicativo Air Alert e publicou um aviso no Telegram para que as pessoas não clicassem no link da mensagem, que poderia ser uma tentativa de phishing.

Poucas horas após os falsos alertas na Ucrânia, o Ministério de Situações de Emergência da Rússia afirmou que seu aplicativo havia sido alvo de um "ataque cibernético massivo", que enviou "informações falsas ao público".

A agência de notícias ucraniana UNN informou que o ataque cibernético enviou alertas falsos de ameaça nuclear dentro da Rússia, citando o Atesh, o grupo ucraniano que opera em território controlado pela Rússia.

Uma suposta captura de tela do alerta falso, compartilhada por Atesh no Telegram, avisava os usuários que "ogivas nucleares montadas em drones P1-Sun [um drone de ataque ucraniano] haviam sido lançadas contra todas as regiões da Rússia".

O alerta, que incluía palavrões, começava com uma mensagem dizendo aos moradores que havia um "risco de tumulto" e os aconselhava a "estocar urgentemente comida para três semanas e se esconder".

Em um comunicado posterior, o Ministério de Situações de Emergência da Rússia afirmou que especialistas ainda estavam trabalhando para restabelecer o funcionamento normal do aplicativo, mas que o ataque cibernético não afetou o sistema de alerta geral do país.

O comunicado afirmava que os cidadãos eram informados sobre os alertas por meio de múltiplos canais, incluindo sirenes e alto-falantes, mensagens de texto e transmissões de TV e rádio, e que o aplicativo era "apenas um serviço de notícias adicional e complementar".

"A invasão do aplicativo móvel não teve, e não pode ter, qualquer impacto no funcionamento do sistema de alerta público", afirmou o ministério em seu canal no Telegram.

Os alertas ocorreram poucos minutos antes do fim de um cessar-fogo localizado na região de Kherson, na linha de frente da Ucrânia, que foi implementado na terça-feira passada e terminou oficialmente às 23h de domingo.

Os combates continuaram em outros locais enquanto o cessar-fogo em Kherson estava em vigor, para permitir que civis evacuassem a cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia.

A Rússia lançou uma invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.

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