Publicado em 21 de novembro de 2023 às 07:12
Imagine uma batalha na diretoria de uma empresa multibilionária cuja tecnologia futurista pode salvar ou destruir o mundo.>
O seu principal executivo, que é ouvido por líderes mundiais, foi derrubado quando colegas seniores se voltaram contra ele - apenas para o resto da empresa exigir que eles próprios fossem demitidos.>
Não, esse não é o roteiro de um drama da Netflix, mas os últimos dias na OpenAI, a empresa criadora do ChatGPT.>
Jornalistas de tecnologia, entusiastas e investidores têm observado o desenrolar dos fatos - mas as opiniões divergem sobre a situação é um thriller ou uma farsa.>
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A batalha no topo da OpenAI, criadora do chatbot ChatGPT, começou muito repentinamente na sexta-feira (17/11), quando o conselho de administração anunciou que estava demitindo o cofundador e presidente da empresa, Sam Altman.>
Em uma postagem no blog da empresa, o conselho acusou Altman de não ser “consistentemente sincero em suas comunicações” e disse que, como resultado, o conselho “perdeu a confiança” em sua liderança.>
Há apenas seis pessoas nesse conselho – e duas delas eram Sam Altman e o cofundador Greg Brockman, que pediu demissão depois que Altman foi demitido.>
Assim, quatro pessoas que conheciam bem Altman e a empresa chegaram a um ponto de ruptura tão sério que entraram em ação imediatamente, surpreendendo toda a comunidade tecnológica, incluindo, alegadamente, os seus próprios investidores.>
Elon Musk – também cofundador original da OpenAI – escreveu no X, antigo Twitter, que estava “muito preocupado”.>
Ilya Sutskever, o cientista-chefe da empresa, era membro desse conselho e disse que “não tomaria medidas tão drásticas a menos que sentisse que era absolutamente necessário.”>
Sutskever depois se arrependeu e postou que “não tinha a intenção de destruir a empresa”. >
Ele é um dos muitos signatários de uma carta-dinamite ao conselho pedindo o regresso de Altman e Brockman e sugerindo que os funcionários vão deixar a OpenAI se os dois executivos não voltarem aos seus cargos.>
Na verdade, ainda não se sabe exatamente o que desencadeou essa briga, mas existem algumas hipóteses.>
Há relatos de que Altman estava considerando alguns projetos de hardware, incluindo o financiamento e o desenvolvimento de um chip de inteligência Artificial, o que seria uma direção bem diferente da qual a OpenAI está indo atualmente. >
Há suspeita de que ele havia assumido alguns compromissos dos quais o conselho não tinha conhecimento.>
Ou então a briga poderia resumir-se a uma questão de dinheiro.>
Em um memorando interno, que depois foi amplamente divulgado, o conselho deixou claro que não acusava Altman de qualquer “prejuízo financeiro”.>
Mas sabemos que a OpenAI foi fundada como uma organização sem fins lucrativos. Isso significa uma empresa que não tem como objetivo ganhar dinheiro. >
Ela retira o suficiente do que traz para cobrir seus próprios custos operacionais - e qualquer extra é investido de volta no negócio. A maioria das instituições de caridade não tem fins lucrativos.>
Em 2019, foi formado um novo braço da empresa – e esta parte era orientada para o lucro. A empresa definiu como os dois coexistiriam. >
O lado do lucro seria liderado pelo lado sem fins lucrativos, e haveria um limite imposto aos retornos que os investidores poderiam obter.>
Nem todo mundo ficou feliz com isso - isso foi apontado como um dos principais motivos por trás da decisão de Elon Musk de se afastar da empresa.>
A OpenAI, no entanto, agora se encontra na situação bastante favorável de valer muito dinheiro. >
Uma venda de ações de funcionários, que acabou não acontecendo, foi avaliada em US$ 86 bilhões. >
Será que havia ambições de tornar o lado lucrativo do negócio mais poderoso?>
A OpenAI tem o objetivo de desenvolver uma inteligência artificial geral. >
Esse tipo de inteligência artificial ainda não existe e gera apreensão e admiração. >
As inteligências artificiais que existem hoje são capazes de realizar apenas uma tarefa. >
O ChatGPT, por exemplo, é um robô de produção de textos em forma de conversas, mas não é capaz de pensar por si próprio. >
Uma inteligência artificial geral seria capaz de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, de pensar e executar ações como um humano. >
Ela teria o potencial de mudar todas as áreas do conhecimento e da atividade humana. >
Será que a OpenAI está mais perto disso do que imaginamos, e Altman sabe disso? É bastante improvável. >
Em uma palestra recente, ele disse que o que estava por vir no próximo ano faria o atual ChatGPT parecer “um parente distante”.>
Emmett Shear, o novo presidente-executivo interino da OpenAI, postou no X que “o conselho *não* removeu Sam (do cargo) por causa de qualquer discordância específica sobre segurança”.>
Ele diz que haverá uma investigação sobre o que aconteceu.>
Mas a Microsoft, a maior investidora da OpenAI, decidiu não arriscar que Altman leve esta tecnologia para outro lugar. >
Foi anunciado que ele se juntará à gigante da tecnologia para liderar uma equipe de pesquisa de inteligência artificial ainda a ser criada. >
Seu cofundador Greg Brockman vai com ele, e, a julgar pelo número de membros da equipe postando no X hoje, parece que ele também levará alguns dos principais talentos da OpenAI.>
Muitos membros da equipe da OpenAI estão compartilhando a mesma postagem no X que diz que a OpenAI “não é nada sem seus funcionários”.>
Isso é um aviso a Shear de que ele pode ter contratações a fazer? Pode ser.>
Na manhã de segunda-feira (20/11), na sede da OpenAI em São Francisco, não havia sinais de pessoas chegando para trabalhar.>
Mas pode ser também um lembrete de que, apesar de toda esta saga ter sido sobre uma forma como a tecnologia que está remodelando o mundo, ela é, no fundo, um drama muito humano.>
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