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O matemático 'guru das Copas' que previu confronto entre Brasil e Japão - e aposta em vitória dos japoneses

O economista alemão Joachim Klement desenvolveu um modelo de previsão que acertou os três últimos campeões mundiais.

Publicado em 26 de Junho de 2026 às 17:35

BBC News Brasil

Publicado em 

26 jun 2026 às 17:35
Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images
Quando o polvo Paul (2008-2010) acertou todos os resultados da seleção alemã na Copa do Mundo Fifa de Futebol Masculino de 2010, na África do Sul, o mundo o saudou como um verdadeiro oráculo.
Mas o economista alemão Joachim Klement superou Paul com um complexo modelo de previsão que mantém 100% de acerto nas suas previsões do campeão mundial, desde a Copa disputada no Brasil, em 2014.
Se a profecia estatística de Klement se confirmar pela quarta vez, a Holanda irá erguer o troféu de campeão no Estádio MetLife em Nova Jersey, nos Estados Unidos, após vencer Portugal na final do torneio, no próximo dia 19 de julho.
Além dos campeões, o modelo do economista alemão mapeia todas as fases do torneio e suas 48 seleções.
Para o Brasil, Klement acertou a previsão da classificação em primeiro lugar no grupo. Ele também previu algo que não é muito do agrado dos brasileiros: o confronto com o Japão, terminando com vitória dos japoneses.
"Provavelmente, uma das maiores zebras da história da Copa do Mundo", prevê Joachim Klement.
Segundo o modelo, a Holanda enfrentará a Espanha nas semifinais. E, na outra semifinal, enfrentam-se Inglaterra e Portugal — que terá eliminado a Argentina nas quartas de final.
O economista prevê que Portugal vencerá mais uma vez os ingleses, como ocorreu nas quartas de final da Copa de 2006, na Alemanha. A previsão só não detalha se a decisão ocorrerá novamente nos pênaltis.
Imagem BBC Brasil
Depois de acertar todos os resultados da Alemanha na Copa do Mundo de 2010, o polvo Paul ainda previu a vitória da Espanha sobre a Holanda, na final do torneio realizado na África do Sul Crédito: AFP via Getty Images
Klement é um "pessimista" confesso, que morou por 10 anos no Reino Unido. Para ele, a pesquisa nunca pretendeu evitar a tristeza de ninguém, nem ganhar dinheiro em apostas.
Na verdade, ele esperava revelar o absurdo de tentar prever os resultados.
"Tudo começou como um exercício para mostrar ao mundo a arrogância dos economistas, que acham que podem prever fatos sobre os quais não têm nenhuma indicação", explica Klement.
"Agora, isso passou a ser uma demonstração de como, se você tiver sorte várias vezes, as pessoas irão achar que você é um guru."
Sua primeira previsão se tornou realidade em 2014, quando o seu país, a Alemanha, venceu a Copa do Mundo realizada no Brasil.
Klement imaginou que, refazendo a simulação novamente em 2018, ele poderia demonstrar que aquilo foi uma casualidade. Mas ele acertou novamente sua previsão com a França em 2018 — e, depois, com a Argentina, em 2022.
"Como eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez", ele conta.
Imagem BBC Brasil
A Holanda é considerada o país mais forte no futebol que nunca venceu uma Copa do Mundo Crédito: Getty Images
É verdade que existem fatores "sistêmicos" conhecidos que determinam, em parte, o sucesso de cada país na Copa do Mundo. Eles incluem a população nacional, a riqueza, o clima e o ranking mundial da Fifa.
Mas a popularidade das previsões quadrienais de Klement cresce a cada acerto. E ele alerta seus leitores a considerar seus resultados com cautela, pois estes fatores contam apenas uma parte da história.
"Os outros 50% são de sorte", segundo ele.
"Cada jogo — especialmente quando você tem equipes de alta qualidade, com técnicas e habilidade muito similares, jogando entre si — realmente depende da forma naquele dia, de uma decisão da arbitragem, de um pouco de sorte entre aquela bola que bate na trave ou entra no gol."
"Este tipo de coisa é completamente imprevisível", explica Klement.
Sempre que a Copa do Mundo se aproxima, o modelo de previsão oferece a Klement uma ótima diversão em relação ao seu trabalho diário.
"Particularmente em 2026, quando temos tantas crises, guerras e coisas acontecendo, é algo que me faz sentir bem", ele conta. "E espero que os leitores também se sintam bem e tenham um pouco de distração de tudo de ruim que está acontecendo no mundo."
Mas, a cada vez que o economista acerta uma previsão, cresce o peso da expectativa.

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