Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 18:09
Nascido na Noruega, o esquiador Lucas Pinheiro Braathen pode fazer história na Itália, ao conquistar a primeira medalha olímpica de inverno para um país sul-americano, após mudar de nacionalidade para competir pelo Brasil, país de origem de sua mãe.>
O atleta de slalom e slalom gigante ameaçou se aposentar em 2023, após competir pela Noruega, mas retornou ao esporte em 2025 para representar o Brasil.>
O slalom é uma das cinco modalidades do esqui alpino. Trata-se de uma descida na qual os esquiadores têm de passar através de uma série de pórticos, dispostos num traçado com curvas e arcos estreitos, com os atletas atingindo de 60 a 70 km/h.>
Já o slalom gigante é disputado da mesma forma que o slalom, mas os pórticos ficam mais distantes entre si e as curvas são maiores, o que exige do esquiador muita técnica e estratégia para traçar o melhor caminho ao longo do trajeto.>
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No ano passado, Braathen se tornou o primeiro brasileiro a subir ao pódio em uma etapa da Copa do Mundo de Esqui Alpino, garantindo a primeira vitória do país nesta temporada, somando-se às cinco vitórias do atleta pela Noruega.>
Carismático, ele afirma que as pessoas não acreditam quando ele diz que representa o Brasil no esqui alpino.>
Em uma coletiva de imprensa realizada na Casa Brasil, em Milão, o atleta destacou o peso histórico de representar o país.>
"A pressão é muito grande. Represento mais de 200 milhões de pessoas e sou o atleta com a maior chance de trazer uma medalha para casa", disse.>
"Mas essa pressão também é um privilégio. É nesse estado que você pode atingir seu potencial máximo", acrescentou.>
Braathen estréia no sábado (14/1) no esqui alpino slalom gigante, junto ao também brasileiro Giovanni Ongaro. Nicole Silveira, que estreou no skeleton feminino na sexta-feira, terminando em 12º lugar, retorna para as descidas finais da categoria.>
Ex-modelo, Braathen foi porta-bandeira da cerimônia de abertura dos jogos olímpicos de Milano Cortina 2026.>
Desde outubro de 2024, ele é embaixador da Moncler, marca de luxo ítalo-francesa que vestiu os brasileiros na abertura da Olimpíada em colaboração com o estilista Oskar Metsavaht, da Osklen.>
"Os atletas têm tido um papel muito importante, têm entendido o quanto é importante trabalhar a imagem", comentou Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.>
"Acho que nunca os Jogo de Inverno foram tão falados no Brasil como dessa vez. Você tem chance de medalha, tem o Lucas que é um garoto super carismático, que trouxe um patrocínio da Moncler.">
O atleta teve sua trajetória retratada no documentário Do Meu Jeito (disponível na Globoplay), que conta a virada na sua carreira, após ele romper com a federação norueguesa e assumir o compromisso de colocar o Brasil no mapa dos esportes de inverno.>
Nascido em Oslo, filho de pai norueguês e mãe brasileira, ele cresceu na Noruega e foi incentivado pelo pai a praticar esqui, segundo perfil do atleta publicado no site da Red Bull.>
No documentário, o atleta conta que o divórcio conturbado de seus pais e sua dupla cidadania contribuíram para minar seu senso de lugar no mundo.>
"Crescer foi confuso, foi assustador... seu sotaque sempre errado, seu jeito de se vestir errado. Você se torna tão profissional em apresentar seu verdadeiro eu... o resultado é uma perda de identidade. Olho para trás e vejo isso como muita insegurança, muita ansiedade", diz ele a um amigo, no longa metragem.>
Braathen lutou para se firmar como esquiador profissional norueguês, mas se sentia deslocado junto à Federação Norueguesa de Esqui.>
"Eu me vi numa situação em que estava limitado a exercer minha profissão para atender aos propósitos de outras pessoas, e não aos meus", afirma.>
Em meio a uma crise de depressão e após terminar um relacionamento por impulso, anunciou o fim de sua carreira no esporte aos 23 anos, quando era o campeão mundial de slalom.>
No centro de sua quase aposentadoria, esteve um embate entre o atleta e a Federação Norueguesa pela exploração de seus direitos de imagem.>
A situação escalou após o esquiador ser multado por participar de uma peça publicitária não autorizada pela confederação.>
Depois de passar alguns meses no Brasil com a família, ele percebeu que queria voltar ao país, mas do seu jeito. Ligou para o pai e juntos montaram uma equipe especialmente para ele, ainda segundo o perfil publicado pela Red Bull.>
Foi assim que Braathen decidiu representar o país natal de sua mãe, o Brasil. E agora pode conquistar a primeira medalha do país na Olimpíada de Inverno.>
"O Brasil é uma mistura de várias culturas. Em todo canto do mundo, o brasileiro se sente em casa. A gente leva a ginga pra todo lugar", diz o atleta. >
"Quando o Brasil entra no estádio, mesmo que você não seja brasileiro, está torcendo um pouco pra gente.">
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